
Cidade da Praia, 08 Jan (Inforpress) - O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) considerou hoje que o país tem assistido a uma diplomacia “vazia de estratégias”, com políticas externas “à deriva” e que não se apoiam na credibilidade e coerência de posições.
Esta visão foi manifestada pelo representante do grupo parlamentar do PAICV Francisco Pereira, durante a primeira sessão ordinária do ano da Assembleia Nacional, que vai decorrer até sexta-feira.
No entender da bancada do PAICV, Cabo Verde merece, em matéria da política externa, um “consenso nacional”, sendo considerada como um recurso estratégico para potenciar as vantagens, com impacto no desenvolvimento e, sobretudo, na melhoria da qualidade de vida dos cabo-verdianos.
Uma política externa que, sublinhou, permita valorizar a participação efectiva de Cabo Verde nas Organizações das Nações Unidas, na Unidade Africana enquanto imperativo estratégico de integração regional, servindo ainda para reforçar os laços com os países da CEDEAO.
“Quem não se lembra da forma atabalhoada como foram seguidos os processos de isenção dos vistos aos cidadãos da União Europeia e do Reino Unido, com cabo-verdianos quase a mendigar para uma marcação de pedido vistos?”, questionou, realçando que Cabo Verde deve acompanhar e avaliar as dinâmicas da geopolítica e da geoeconomia.
Para o maior partido da oposição, a política externa esteve “sempre estribada” em princípios claros e acções orientadoras, permitindo ao país estabelecer relações com todos os Estados com base no “respeito mútuo e reciprocidade de interesses”.
Apesar das vulnerabilidades, o PAICV salientou que Cabo Verde pode de forma “inteligente e convergente” encarar elementos inovadores, buscando, efectivamente, as engenharias super-estruturais e infraestruturais.
Para o PAICV, a nação necessita criar uma agenda diplomática clara no que se refere à problemática da reconversão da dívida em acções climáticas, desempenhando um papel de exemplo como um catalisador de políticas e práticas que beneficiem não apenas os nacionais, mas também a diáspora.
LT/CP
Inforpress/Fim
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