Infância/Protecção: Jovens cabo-verdianos lançam movimento cívico contra exploração sexual de menores

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Infância/Protecção: Jovens cabo-verdianos lançam movimento cívico contra exploração sexual de menores
31/10/26 - 12:33 pm

Cidade da Praia, 31 Out (Inforpress) – Jovens cabo-verdianos de diferentes ilhas e da diáspora estão a mobilizar-se através do movimento cívico “Nos Criança, Nos Futuro”, uma iniciativa que pretende reforçar a protecção da infância e combater a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Em declarações hoje à Inforpress, uma das representantes da coordenação do projecto, Neliciete Tavares, explicou que o movimento surgiu na sequência dos casos de exploração sexual de menores revelados pela Operação Aurora, na ilha do Sal, e de relatos de outras situações de abusos recebidos através das redes sociais.

“Este projecto surge como um grito da nossa geração”, afirmou, considerando que a protecção da infância exige o envolvimento de toda a sociedade.

A mobilização está a ser desenvolvida através de uma comunidade no WhatsApp, com grupos destinados ao debate, à partilha de informações e à articulação de representantes das diferentes ilhas, e contacto com comissões de finalistas de vários liceus do país e pretendem envolver jovens da diáspora.

No âmbito das actividades previstas, o movimento pretende realizar acções de sensibilização e capacitação nas escolas, abordando temas como os direitos das crianças, o reconhecimento de comportamentos abusivos e os riscos de aliciamento e exploração sexual, incluindo no ambiente digital.

Para assegurar a qualidade das intervenções, Neliciete Tavares avançou que a intenção é mobilizar professores, psicólogos, juristas e outros profissionais com preparação técnica e académica para integrar um núcleo de trabalho.

O movimento prevê também realizar uma manifestação pacífica no dia 07 de Novembro, com mobilização nas diferentes ilhas e na diáspora, procurando que as iniciativas decorram em simultâneo.

Segundo a coordenadora, estão ainda a ser definidos os aspectos organizativos da manifestação, nomeadamente os locais, horários e condições de participação dos estudantes, tendo em conta que parte dos envolvidos poderá ser menor de idade e necessitar de autorização dos encarregados de educação.

O “Nos Criança, Nos Futuro” estrutura-se em três eixos de intervenção: consciencialização da sociedade, capacitação de crianças e jovens e mobilização cívica, com o propósito de contribuir para uma resposta mais articulada na prevenção e no combate à exploração sexual de menores.

Tavares vincou ainda o contributo de Larissa Estrela, que tem promovido a sensibilização através das redes sociais, de Ricardo Soares, a quem atribuiu o lançamento do desafio que impulsionou a mobilização, e de Elvis Andrade, pelo envolvimento de novos participantes.

A iniciativa pretende estabelecer parcerias com instituições de protecção da infância, autoridades, escolas e organizações da sociedade civil, além de defender o reforço das condições legais e institucionais de protecção das crianças.

A coordenadora apelou à participação de profissionais, organizações e órgãos de comunicação social na divulgação da causa, considerando fundamental o compromisso de diferentes sectores da sociedade para prevenir e combater a exploração sexual infantil.

KA/ZS

Inforpress/Fim

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