
Cidade da Praia, 15 Out (Inforpress) – A investigadora brasileira Jusciele Oliveira considerou hoje as obras cinematográficas de Flora Gomes um espaço de reflexão sobre o legado de Amílcar Cabral e os desafios da concretização dos ideais de unidade e emancipação defendidos pelo líder independentista africano.
Fora Gomes, nome artístico de Florentino Gomes, nasceu em Cadique, na Guiné-Bissau, a 31 de Dezembro de 1949, e é considerado um dos pioneiros do cinema guineense e uma das figuras de referência da cinematografia africana.
A sua obra distingue-se pela combinação de elementos históricos, míticos e poéticos para abordar a realidade africana, com uma linguagem cinematográfica que articula questões locais e universais.
Em declarações à Inforpress, à margem de uma masterclass dedicada à presença de Amílcar Cabral no cinema de Flora Gomes, realizada no âmbito do Kafuka African Film Festival, Jusciele Oliveira explicou que a filmografia do cineasta permite analisar as transformações políticas e sociais da Guiné-Bissau após a independência, bem como as contradições entre os ideais da luta de libertação e a realidade das sociedades africanas.
Segundo a investigadora, a obra de Flora Gomes não se limita à evocação histórica de Amílcar Cabral, mas questiona também o distanciamento entre os princípios defendidos pelo líder e as práticas que marcaram o período pós-independência.
Entre esses princípios, destacou a unidade africana, a emancipação dos povos e o direito de os africanos pensarem e conduzirem o seu próprio destino, valores que considera relevantes para compreender os desafios actuais do continente.
A investigadora identificou igualmente a educação e a cultura como dimensões fundamentais do pensamento de Cabral, que reconhecia a formação das novas gerações e a valorização das expressões culturais como elementos importantes no processo de libertação e afirmação dos povos.
Na sua perspectiva, a permanência dessas questões na cinematografia de Flora Gomes demonstra a capacidade do cinema de recuperar a memória histórica e estimular o debate sobre o percurso político e social dos países africanos.
Jusciele Oliveira defendeu, por isso, a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o pensamento de Amílcar Cabral, sobretudo junto das novas gerações, através da investigação académica, da produção cultural e de iniciativas que promovam a circulação de obras cinematográficas africanas.
A masterclass integrou a programação do Kafuka African Film Festival, que promove o cinema africano e a reflexão sobre as suas narrativas, os seus autores e a sua contribuição para a valorização da história e da identidade dos povos do continente.
KA/JMV
Inforpress/Fim
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