Investigadores defendem aproximação da investigação científica à sociedade e valorização da história migratória e colonial

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Investigadores defendem aproximação da investigação científica à sociedade e valorização da história migratória e colonial
13/10/26 - 07:57 pm

Cidade da Praia, 13 Out (Inforpress) – Investigadores participantes na Conferência Internacional «Diásporas, Identidades e Mobilidades no Espaço Transatlântico (Séculos XV–XXI)» defenderam hoje a importância de aproximar a investigação científica da sociedade e promover o conhecimento sobre os movimentos migratórios e os legados do colonialismo.

 

A iniciativa, realizada na Biblioteca Nacional de Cabo Verde, reúne investigadores e académicos para debater as diásporas, a construção das identidades e as ligações históricas e culturais entre África, Europa e América, incluindo as Caraíbas.

Em declarações à imprensa, o investigador Vítor Barros, do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, explicou que a conferência integra um projecto internacional que envolve instituições académicas de diferentes países, com o objectivo de partilhar investigações, promover o diálogo com a sociedade e estimular novas linhas de pesquisa.

Segundo o investigado, a iniciativa procura romper com práticas tradicionais de investigação, frequentemente circunscritas ao meio académico, através da divulgação do conhecimento científico junto do público e da recolha de contributos para aprofundar pesquisas e testar hipóteses.

Vítor Barros salientou a importância de aproximar a investigação da sociedade civil e dos responsáveis pela formulação de políticas públicas, de modo a transformar as reflexões acadêmicas em respostas concretas para os desafios sociais.

Entre os temas abrangidos pelo projecto, destacou os legados do colonialismo, a escravatura, as desigualdades estruturais, a formação do Atlântico Negro e a construção das memórias das comunidades diaspóricas nos países de acolhimento.

Na mesma óptica, o investigador João Vasconcelos, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, apresentou uma pesquisa sobre a migração de cinco famílias de Milho Branco, no interior de Santiago, para Trás-os-Montes, Portugal, em 1971.

Baseada em história oral, entrevistas e consulta de arquivos, a investigação aborda a deslocação de 27 pessoas, entre casais e crianças, para um complexo agroindustrial português, num contexto de crise económica e alimentar em Cabo Verde.

Segundo João Vasconcelos, o Estado português adoptou, nesse período, medidas para incentivar a migração de trabalhadores cabo-verdianos, incluindo o financiamento antecipado de passagens aéreas, posteriormente reembolsadas pelos próprios trabalhadores.

O investigador ressaltou as potencialidades e limitações do método das histórias de vida para compreender experiências individuais e familiares e aprofundar o conhecimento sobre os processos migratórios.

Defendeu ainda a importância de transmitir esse conhecimento às novas gerações, considerando que o estudo do passado permite compreender os processos históricos e identificar situações que podem repetir-se no presente.

No âmbito da iniciativa, está previsto um workshop na Assomada, dirigido sobretudo a professores de História e estudantes da área do ensino, para reflectir sobre as práticas educativas e a abordagem do colonialismo e das chamadas descobertas em Cabo Verde e Portugal.

A conferência integra um projecto de cooperação internacional que promove o intercâmbio académico entre África, Europa e América, com vista ao aprofundamento de estudos sobre mobilidade, identidade, memória e relações transatlânticas.

KA/JMV

Inforpress/Fim

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