
Calheta, 29 Set (Inforpress) – O município de São Miguel, no interior de Santiago, assinala hoje 29 anos de autonomia municipal, com a celebração reduzida a uma missa solene, após o cancelamento das restantes actividades programadas.
Criado pela Lei n.º 11/V/96, de 11 de Novembro, após a sua desanexação do então concelho do Tarrafal, São Miguel passou a funcionar como município a partir de 1 de Janeiro de 1997, tendo Calheta como sede administrativa.
Localizado no nordeste da ilha de Santiago, o município possui uma área de 77,5 quilómetros quadrados e faz fronteira, a norte, com o Tarrafal, a sul e oeste, com Santa Catarina, a sudeste, com Santa Cruz, e, a leste, com o Oceano Atlântico.
Segundo o Censo 2021 do Instituto Nacional de Estatística (INE), São Miguel tinha 12.966 habitantes, dos quais 6.125 homens e 6.841 mulheres, representando 4,7% da população de Santiago e 2,6% da população residente em Cabo Verde.
Os dados do INE apontam para uma população relativamente jovem, com 30,2% dos residentes com idades entre zero e 14 anos e 17,9% entre os 15 e os 24 anos. A população com 65 anos ou mais representa 9,4%.
O município conta com 3.568 agregados familiares, dos quais 50,3% residem no meio urbano e 49,7% no meio rural. Em termos de condições de vida, 86,3% dos agregados têm acesso à electricidade, 53,1% dispõem de água canalizada da rede pública e 65,7% dos alojamentos possuem casa de banho.
Apesar da transformação de Calheta e de outros núcleos populacionais, São Miguel mantém uma forte matriz rural, com a agricultura a desempenhar um papel importante na economia e na vida das comunidades.
A criação de gado e a pesca constituem igualmente actividades tradicionais, enquanto a proximidade do mar, as paisagens e o património cultural são apontados como recursos com potencial para o desenvolvimento do turismo.
As manifestações religiosas, particularmente as festas em honra de São Miguel Arcanjo, continuam também a ocupar um lugar de destaque na identidade cultural do município.
Entretanto, a evolução demográfica constitui um dos principais desafios do concelho. A população residente diminuiu de 15.648 habitantes, em 2010, para 12.966, em 2021, uma redução de cerca de 17% em 11 anos.
A evolução coloca desafios relacionados com a fixação da população, sobretudo dos jovens, a criação de oportunidades de emprego e a melhoria das condições de vida nas comunidades rurais.
Nos últimos anos, o município tem promovido investimentos e iniciativas em sectores como educação, saúde, infra-estruturas, agricultura, ambiente, desporto e apoio às comunidades.
Para assinalar os 29 anos, a autarquia tinha programado um conjunto de actividades institucionais, culturais, desportivas e recreativas, mas decidiu cancelá-las em solidariedade com as vítimas da tragédia ocorrida na ilha do Fogo, a 05 de Setembro.
A celebração fica, assim, limitada à missa solene em honra de São Miguel Arcanjo, marcada para hoje, às 10h30, na Igreja Paroquial de São Miguel, presidida pelo bispo da Diocese de Santiago, Dom Teodoro Mendes Tavares.
MC/JMV
Inforpress/Fim
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