AJOC repudia ataques de Gilson Alves a jornalista da Inforpress e recomenda prudência aos órgãos de informação

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AJOC repudia ataques de Gilson Alves a jornalista da Inforpress e recomenda prudência aos órgãos de informação
28/09/26 - 11:12 am

Cidade da Praia, 28 Set (Inforpress) - A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc) manifestou hoje “profunda preocupação” e repudiou a atitude do candidato presidencial Gilson Alves contra uma jornalista da Inforpress no exercício das suas funções.

O caso remonta a um contacto da profissional para obter a reacção do candidato à aprovação da sua candidatura às eleições presidenciais pelo Tribunal Constitucional.

Questionado se pretendia responder por escrito ou áudio, em português ou crioulo, Gilson Alves reagiu por mensagem escrita com insultos e a frase em latim: “A chi la gloria? A chi la gloria? A noi! ‘Oderint dum metuan’” (tradução livre: “A quem a glória? A quem a glória? A nós! Que nos odeiem, desde que nos temam”).

Entre as expressões dirigidas por escrito à profissional constam: “Você não está nesta m…. para me ordenar à p… de nada. Ainda não secou a tinta da decisão do TC, e vocês já estão a f…. o juízo? P…q…p…. Acalme-se nesta m…. Você não ordena o Gilson Alves a nada.”

Perante a gravidade do episódio, a Inforpress decidiu omitir os termos mais vulgares por respeito ao público e acatou o pedido de objecção de consciência formulado pela jornalista, que se recusou a voltar a cobrir a referida candidatura.

Em comunicado enviado à imprensa, a organização de classe revelou ter tomado conhecimento de comunicações dirigidas pelo candidato à profissional contendo linguagem “insultuosa, depreciativa, hostil e intimidatória”, além de ataques “infundados” contra a sua capacidade intelectual e competência técnica.

Para a direcção da AJOC, a conduta adoptada pelo aspirante ao Palácio Presidencial “ultrapassa os limites aceitáveis da relação entre uma fonte de informação e um profissional da comunicação social”.

A entidade solidarizou-se com a jornalista visada, colocando-se à disposição para prestar apoio institucional e acompanhar eventuais diligências junto das instâncias competentes.

Considerando o episódio grave e contrário às práticas democráticas, a AJOC recomendou aos jornalistas e às redacções “especial prudência” nos contactos com Gilson Alves, sugerindo que as abordagens passem a ser feitas em condições que assegurem a segurança dos profissionais.

A associação sugere, designadamente, que eventuais contactos jornalísticos sejam feitos por escrito, através de vias institucionais ou em condições que permitam a presença de outros profissionais e ofereçam garantias de segurança.

“Nenhum jornalista deve sentir-se obrigado a estabelecer contacto presencial, isolado ou em circunstâncias nas quais não se sinta devidamente protegido”, lê-se no comunicado.

A AJOC sublinha, contudo, que a recomendação “não constitui qualquer apelo à censura ou à exclusão jornalística de uma candidatura”, cabendo a cada órgão de comunicação social, no exercício da sua autonomia editorial e no cumprimento das obrigações legais, definir as formas de assegurar a cobertura informativa.

A associação sublinhou que o direito do público à informação “não pode ser exercido à custa da dignidade, integridade ou segurança dos jornalistas”.

A AJOC apela ainda às direcções dos órgãos de comunicação social para que adoptem medidas de protecção dos seus profissionais perante situações desta natureza, defendendo que “nenhum profissional deve trabalhar com medo”.

A associação termina o comunicado na expectativa de uma “reacção firme das autoridades competentes”.

DG/CP

Inforpress/Fim

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