
Espargos, 24 Set (Inforpress) – A Associação dos Hiacistas do Sal propôs hoje um aumento de 25% na tarifa do transporte público de passageiros, actualmente fixada em 120 escudos, e exigiu maior fiscalização do sector para travar a concorrência desleal.
Em declarações à Inforpress, o presidente da associação, Carlos Delgado, explicou que a proposta, submetida à Assembleia Municipal, surge na sequência da subida dos preços dos combustíveis e do aumento dos custos de manutenção das viaturas e de peças sobressalentes.
Segundo o responsável, a actual tarifa “deixou de fazer sentido do ponto de vista económico e social”, tendo em conta a redução dos rendimentos dos operadores e o aumento dos custos de exploração.
“A renda dos operadores baixou substancialmente e a manutenção das viaturas e peças sobressalentes sofreu aumentos significativos. Já não é viável operar com o preço actual sem comprometer a estabilidade financeira das famílias dos condutores e empresários”, afirmou Carlos Delgado.
O presidente da Associação Hiacistas do Sal disse ter aproveitado a realização da próxima sessão da Assembleia Municipal, agendada para 29 e 30 de Setembro, para suscitar o debate sobre a necessidade de uma tarifa “mais justa”.
Carlos Delgado reconheceu que o aumento proposto poderá ter impacto no orçamento das famílias, num momento em que a ilha do Sal regista um elevado custo de vida, mas defendeu que o apoio às famílias deve ser assegurado pelo Estado através de políticas sociais e de reajustes salariais.
“Não queremos fazer barulho, mas sim uma luta ideológica pacífica para sensibilizar as autoridades de que não podemos continuar a suportar sozinhos os impactos dos custos operacionais e de conflitos externos”, sustentou.
Para além da questão tarifária, o dirigente associativo defendeu a implementação urgente de um projecto estruturante de gestão por senhas nos terminais de transbordo e pediu uma fiscalização efectiva do sector, envolvendo a Câmara Municipal, a Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários (DGTR) e as polícias Nacional e Municipal.
Segundo Carlos Delgado, existe uma grande “desorganização” no sector, provocada pela concorrência que considera desleal entre o transporte público e o transporte turístico, acusando viaturas turísticas de realizarem transporte público de passageiros à margem da lei.
“Há uma grande indignação entre os condutores de transportes públicos, porque as autoridades aplicam coimas de forma rigorosa a uns e parecem fechar os olhos às infracções cometidas pelos operadores turísticos. Esta disparidade na fiscalização tem gerado tensão e conflitos graves nas terminais, culminando recentemente na agressão física de um condutor, cujo caso já se encontra entregue aos tribunais”, denunciou.
Carlos Delgado apelou a uma actuação imparcial das autoridades competentes, defendendo que a lei deve ser aplicada em igualdade de circunstâncias, de modo a garantir a ordem, a segurança e a sustentabilidade dos operadores que dependem diariamente do transporte de passageiros na ilha do Sal.
NA/JMV
Inforpress/Fim
Partilhar