
Cidade da Praia, 24 Set (Inforpress) – Pescadores da cidade da Praia destacaram hoje a importância do mar para o sustento das famílias cabo-verdianas, defendendo maior protecção do ambiente marinho, fiscalização e apoio à classe piscatória.
Em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial do Mar, o pescador artesanal Luís Araújo, conhecido por “Toresma”, afirmou que o mar representa “algo grandioso” para os pescadores e suas famílias, lembrando que trabalha há quase 40 anos nas águas de Cabo Verde à procura do sustento.
“É do mar que vivemos”, afirmou o pescador, sublinhando que a actividade piscatória não representa apenas uma fonte de rendimento, mas também um elemento importante da identidade nacional.
“O mar é essencial para o sustento, economia e segurança alimentar de milhares de famílias no arquipélago”, sustentou, acrescentando que a pesca contribui para suportar despesas com educação e habitação.
Entre os principais desafios que afectam o mar, apontou a poluição, a presença recorrente de sargaço nas praias da ilha de Santiago e a escassez de pescado, factores que, segundo explicou, têm afectado a pesca artesanal.
Luís Araújo manifestou ainda preocupação com a quantidade de lixo, sobretudo plástico, deixado nas praias, apelando a uma maior consciência da população para o correcto descarte dos resíduos.
“É preciso mais consciência da população, campanhas de limpeza, sensibilização ambiental e recolha de lixo”, defendeu.
O pescador considerou também importante que as autoridades reforcem a fiscalização e adoptem medidas para prevenir a poluição do meio marinho por óleos e outras substâncias provenientes de navios, bem como a descarga acidental de produtos nocivos no oceano.
Por seu turno, José Silva, pescador de 37 anos que exerce a actividade desde a infância, afirmou que “o mar é vida” e que é dele que retira o sustento para as despesas pessoais, incluindo saúde, educação dos filhos e apoio aos familiares.
“Não troco o mar por nada. Ele é vida”, declarou, acrescentando que o oceano representa a “maior riqueza” de Cabo Verde.
Relativamente à poluição marinha, José Silva reconheceu que não são apenas os banhistas e as pessoas que frequentam as praias para actividades de lazer que contribuem para a produção de resíduos.
Segundo explicou, os próprios pescadores levam alimentos para o alto mar durante as jornadas de pesca e, por vezes, acabam por deixar resíduos, como garrafas de plástico e outros materiais, no oceano.
Por isso, afirmou que tem procurado sensibilizar os colegas para abandonarem esta prática e defendeu uma maior fiscalização das praias, dos pescadores e da população em geral.
Para o pescador, o mar desempenha múltiplas funções, servindo para o lazer, a conectividade entre as ilhas, a pesca e outras actividades, pelo que apelou a todos para contribuírem para a sua preservação.
Questionados sobre a pesca ilegal, os dois entrevistados não quiseram comentar a questão, por a considerarem sensível e susceptível de ser mal interpretada.
O Dia Mundial do Mar é assinalado anualmente por iniciativa da Organização Marítima Internacional (OMI), com o objectivo de chamar a atenção para a importância das actividades marítimas para o comércio mundial, a segurança do transporte marítimo e a protecção do ambiente marinho.
DG/JMV
Inforpress/Fim
Partilhar