São Vicente/Baía das Gatas: Encontro de Vozes junta gerações da música cabo-verdiana na segunda noite

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São Vicente/Baía das Gatas: Encontro de Vozes junta gerações da música cabo-verdiana na segunda noite
08/08/26 - 08:54 am

Mindelo, 8 Ago (Inforpress) – A segunda noite da 42.ª edição do Festival da Baía das Gatas foi marcada pelo Encontro de Vozes, que juntou Tito Paris, Ceuzany, Diva Barros e Elly Paris numa incursão pela música cabo-verdiana cantada por diferentes gerações.

Tito Paris abriu a sua actuação com “Nha Pretinha”, seguindo-se “M’Cria Ser Poeta” e “Dançá Ma Mim Criola”, temas que integram o seu percurso artístico.

Na sequência, apresentou o seu mais recente trabalho discográfico, “Nô tchal tê li”.

Com o seu jeito brincalhão, que cativou o público, Ceuzany também revitalizou “Sem Ninguém”, clássico em homenagem ao artista Jorge Neto, e depois lembrou Cesária Évora ao descalçar-se antes de interpretar “Flor de Paul” e fazer incursões por músicas do Carnaval mindelense.

Diva Barros foi a terceira voz do encontro. Com a sua voz grave, interpretou temas como “Um Bem Dum Cavakim”, “Jazz Criol” e “Mi É Dod Na Bô”, dando continuidade ao diálogo entre diferentes gerações da música cabo-verdiana.

A mais jovem do quarteto, Elly Paris, encerrou o Encontro de Vozes com “Lembranças”, “Espiá Bo Oiá”, “Ninguém Te Mandá Na Mim” e “El Ê Dju”.

Para Tito Paris, a actuação foi “fantástica”, sobretudo por voltar ao palco da Baía das Gatas 15 anos depois.

“Esta actuação foi fantástica, correu bem e a junção com a jovem geração é sempre importante, porque nós trocamos experiências e ambas as partes saem mais ricas”, afirmou, acrescentando que é “extremamente gratificante quando um jovem vem tocar com o mais velho”.

O músico considerou igualmente importante o contacto entre artistas dentro e fora do palco, sublinhando que a troca de experiências entre gerações contribui para o desenvolvimento da música cabo-verdiana.

Ceuzany considerou a Baía das Gatas a sua “segunda casa” e aproveitou a ocasião para deixar um apelo à valorização dos artistas nacionais.

Para Diva Barros, a Baía das Gatas é um espaço “especial”, pelo tempo, pelo lugar e pelo movimento que o festival provoca em São Vicente.

“O palco é grande, é antigo, tem uma energia própria, porque talvez seja o palco que já movimentou mais artistas e mais gente. E o povo de São Vicente gosta, porque a Baía traz sempre alegria”, afirmou.

A cantora lembrou ainda o impacto económico do festival e a tristeza provocada pela não realização da edição anterior, devido à passagem da tempestade Erin.

Diva Barros defendeu que o festival deve continuar, sobretudo depois de 42 edições e numa altura em que Cabo Verde celebra a qualificação dos “Tubarões Azuis” para o Mundial de Futebol de 2026.

Elly Paris, por sua vez, considerou a presença no palco da Baía das Gatas a concretização de um sonho partilhado por muitos artistas cabo-verdianos.

“É uma confirmação de que o artista está a trabalhar e a seguir o bom caminho e que ele merece estar no maior palco de Cabo Verde e num dos maiores de África”, declarou.

Após o Encontro de Vozes, a programação da segunda noite prosseguiu com o lendário grupo Cabo Verde Show, formado em França, em 1976, por músicos de origem cabo-verdiana.

O grupo presenteou o público com temas como “Sururu”, “Da Li, Da Lá” e “Falal Nha Amigo”, entre outras canções que marcaram o seu percurso.

A noite incluiu ainda a actuação de Dieg, nome artístico de Diego Gomes, cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor natural do Mindelo, que integra uma geração de artistas que cruza a música cabo-verdiana com novas sonoridades.

O encerramento coube ao grupo Ferro Gaita, que este ano assinala 30 anos de carreira.

A formação levou ao palco o funaná, revisitando temas do primeiro álbum, “Fundu Baxu”, lançado em 1997, e apresentando também músicas do mais recente trabalho discográfico, “Tokador de Gaita”, lançado em Junho.

O festival prossegue hoje, com vozes do Carnaval do Mindelo, como Edson Oliveira, Gai, Anísio Rodrigues e Constantino Cardoso. Também subirão ao palco Hélio Batalha, Garry e Tiken Jah Fakoly.

No domingo, último dia do Festival Internacional da Baía das Gatas, o palco será de Black Side, Lisandro Cuxi e Mc Cabelinho.

Este ano, o festival homenageia a Selecção Nacional de Futebol pela sua prestação no Mundial de Futebol de 2026.

CD/JMV

Inforpress/Fim

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