
Cidade da Praia, 14 Jun (Inforpress) – A presidente da Associação de Doadores Voluntários de Sangue da Praia afirmou hoje que a dádiva de sangue deve assentar no altruísmo, defendendo que a procura de benefícios ou privilégios pode comprometer a essência solidária da doação voluntária.
Leiva Monteiro falava durante a segunda Gala de Gratidão, promovida pelo Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), através do seu Banco de Sangue, no âmbito do Dia Mundial do Doador de Sangue, que hoje se assinala.
Sob o lema “Uma gota de humanidade. Doe Sangue. Salve vida”, o evento visou celebrar e homenagear os “heróis anónimos”, que através da dádiva de sangue transformam solidariedade em vida.
“Muitas vezes ouvimos doadores frustrados porque, num momento de aflição no hospital enfrentam filas ou não conseguem determinado medicamento, sentindo que o seu gesto não foi reconhecido pelo sistema. Mas o sangue não se vende, não se troca e não se comercializa”, afirmou.
A presidente da associação defendeu que associar a doação à expectativa de favores institucionais compromete a essência do gesto, que classificou como uma das mais nobres expressões de solidariedade humana.
“Não doamos para receber um selo de prioridade no hospital. Doamos porque há uma vida do outro lado que depende de nós”, afirmou.
Na sua intervenção, Leiva Monteiro destacou ainda o papel fundamental dos doadores para o funcionamento dos serviços de saúde, salientando que cada unidade de sangue representa esperança e uma nova oportunidade para pacientes que enfrentam doenças, acidentes ou cirurgias complexas.
“O maior prémio de um doador não está numa receita médica facilitada, mas sim no compasso do coração de alguém que continuou a bater porque nós estendemos o braço”, disse.
Apelou, neste sentido, à população, sobretudo os mais jovens, para aderirem a esta causa e contribuírem para salvar vidas, tendo aproveitado o momento para agradecer o apoio dos parceiros e empresas que colaboram com a associação.
Leiva Monteiro assegurou que a associação continuará a promover acções de sensibilização para reforçar a cultura da dádiva regular de sangue.
Por seu lado, o presidente do Conselho de Administração do Hospital Universitário Agostinho Neto (PCA), Evandro Monteiro, enalteceu o contributo dos voluntários na saúde pública, considerando-os os principais responsáveis pelos resultados alcançados pelo banco de sangue da instituição.
Sublinhou que 2025 ficará marcado na história do HUAN pelo facto de a instituição conseguir, pela primeira vez, duas mil doações de sangue, das quais mais de 90 por cento foram de cariz voluntário.
Na ocasião os doadores, Aleida Semedo e Luís Santos, doador reformado, manifestaram gratidão pelo reconhecimento em vida, e encorajaram a população, sobretudo os jovens, a adotarem um estilo de vida saudável e a aderirem a esta causa para salvar vidas a quem mais precisa deste acto de solidariedade.
ET/CP
Inforpress/Fim
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