
Assomada, 08 Jun (Inforpress) – O professor e investigador Arnaldo Brito defendeu hoje uma reforma profunda do sistema educativo cabo-verdiano, considerando que a produção de conhecimento e a modernização pedagógica são essenciais para acelerar o desenvolvimento do país.
A posição foi expressa durante o lançamento da obra “Por uma Nova Política Educativa em Cabo Verde: (Re)imaginando o Nosso Futuro”, realizado no auditório da Faculdade de Educação e Desporto (FaED), em Assomada.
Segundo o autor, o livro resulta de 36 anos de experiência profissional no sector da educação e reúne análises e propostas destinadas a melhorar a qualidade do ensino e a sua ligação ao desenvolvimento nacional.
Em declarações à imprensa, Arnaldo Brito afirmou que a publicação assenta numa reflexão crítica sobre o sistema educativo cabo-verdiano e na observação de países que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento através de fortes investimentos na educação.
Defendeu que Cabo Verde precisa de deixar de ser apenas consumidor de conhecimento para se tornar produtor, sustentando que o desenvolvimento económico e social depende da capacidade do país gerar conhecimento e inovação.
Entre as propostas apresentadas, destacou a necessidade de substituir o modelo tradicional de ensino, centrado na transmissão e reprodução de conteúdos, por metodologias que promovam a construção do conhecimento, o pensamento crítico e a capacidade de comunicação dos alunos.
Neste contexto, defendeu uma avaliação orientada para a aprendizagem, privilegiando trabalhos de grupo e actividades que incentivem a participação activa dos estudantes.
O autor apontou ainda a necessidade de uma maior articulação entre a escola e o mercado de trabalho, defendendo a introdução de experiências práticas desde os primeiros níveis de formação, à semelhança do que acontece em países como a Alemanha, a Áustria e o Japão.
Arnaldo Brito considerou igualmente insuficiente a aposta na formação técnica e profissional, referindo que apenas uma pequena parte dos cerca de 30 mil alunos do ensino secundário frequenta escolas técnicas.
Neste sentido, defendeu o aumento da oferta de ensino técnico e profissional, através da criação de novos estabelecimentos especializados e da conversão de algumas escolas secundárias em centros de formação profissional.
A obra propõe ainda a integração do ensino pré-escolar no ensino básico e apresenta recomendações para o reforço da qualidade do ensino superior.
Na apresentação da publicação, Eleutério Afonso classificou o livro como um “manifesto político” e um documento estratégico, considerando que a obra surge num momento oportuno de debate sobre o sistema educativo nacional e apresenta propostas concretas para a sua melhoria.
MC/JMV
Inforpress/fim
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