
Mindelo, 29 Mai (Inforpress) - O comandante da Guarda Costeira, Kahbi Batista, afirmou hoje que Cabo Verde enfrenta “responsabilidades crescentes” no domínio da defesa e da segurança marítima, num contexto regional “marcado pela instabilidade e pelas ameaças transnacionais no Atlântico”.
As declarações foram feitas durante a cerimónia que assinalou a conclusão do 20.º curso de formação de marinheiros, ministrado no Centro de Instrução Militar Zeca Santos, em Morro Branco, e a imposição de boinas aos militares que concluíram o 51.º Curso de Fuzileiros Navais das Forças Armadas, em São Vicente.
Segundo o capitão-de-navio Kahbi Batista, a transformação em curso na Guarda Costeira resulta da necessidade de responder ao novo contexto geopolítico da região africana e ao posicionamento estratégico do arquipélago na encruzilhada atlântica entre África, Europa e Américas.
“O quadro geopolítico da nossa região, marcado por crescente instabilidade e intensificação dos fluxos ilícitos nas rotas atlânticas, impõe ao Estado de Cabo Verde responsabilidades acrescidas no domínio da defesa e da segurança marítima”, declarou.
O comandante sublinhou ainda que a política nacional de defesa tem vindo a atribuir “crescente primazia à segurança marítima”, considerando a Guarda Costeira como “expressão concreta da vontade do Estado em proteger o seu espaço marítimo, salvaguardar a vida humana no mar e apoiar as populações que dependem do oceano”.
A cerimónia serviu igualmente para destacar a parceria entre a Guarda Costeira de Cabo Verde e a Marinha do Brasil, cooperação iniciada em 2013 com a criação da Missão de Assessoria Naval brasileira no país.
Kahbi Batista considerou que o 20.º curso de marinheiros representa “o resultado mais visível de uma parceria sólida e duradoura” entre as duas instituições, permitindo a formação de oficiais, sargentos e praças cabo-verdianos em academias e escolas militares brasileiras.
O chefe da Missão Naval do Brasil em Cabo Verde, Rodrigo Escobar Antunes, recordou que a cooperação militar-naval foi articulada pelos então ministros da Defesa dos dois países e consolidada com a instalação da missão brasileira na cidade da Praia, em 2013, posteriormente transferida para o Mindelo em 2015.
Segundo Rodrigo Antunes, a entrega da Sala de Instrução Brasil, em 2016, no Centro de Instrução Militar Zeca Santos, permitiu iniciar o primeiro curso de formação de marinheiros, cuja missão consistia em capacitar militares cabo-verdianos para funções técnico-profissionais a bordo dos navios da Guarda Costeira.
Desde então, explicou, a cooperação já apoiou a qualificação de 272 militares cabo-verdianos, “com o mesmo rigor instrucional aplicado aos marinheiros brasileiros”.
O responsável brasileiro considerou que a turma agora formada simboliza “um marco histórico e vivo de uma cooperação militar-naval profundamente bem-sucedida ao longo de dez anos” e a que Brasil tem “total disponibilidade” para continuar.
LN/JMV
Inforpress/Fim
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