Brava: Biólogo alerta para problemas de quantidade e qualidade da água na ilha (c/áudio)

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Brava: Biólogo alerta para problemas de quantidade e qualidade da água na ilha (c/áudio)
27/05/26 - 08:31 pm

Nova Sintra, 27 Mai (Inforpress) – O biólogo David Pascoal alertou hoje para dois problemas estruturais no abastecimento de água na ilha Brava, relacionados com a escassez do recurso e a sua qualidade, considerando a situação “preocupante” para a população.

Em declarações à Inforpress, o especialista referiu que a Brava é actualmente a ilha com menor acesso à água canalizada no quotidiano, sublinhando que, em várias localidades, o abastecimento ocorre apenas uma vez por semana.

Segundo explicou, esta realidade resulta da redução das nascentes, da irregularidade das chuvas e da dependência de fontes naturais, a que se junta um sistema de distribuição deficiente.

“A chuva está a cair cada vez menos e a população da ilha Brava tem acesso a uma quantidade de água muito inferior ao mínimo estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda cerca de 50 litros por pessoa por dia”, afirmou.

Relativamente à qualidade da água, David Pascoal apontou o excesso de flúor como um problema antigo na ilha.

Conforme indicou, um estudo da Universidade Católica Portuguesa revelou concentrações entre 4,5 e 6,2 miligramas por litro, quando as orientações de saúde pública em Cabo Verde fixam um máximo de 1,5 miligramas por litro.

“Isso significa que a população está a consumir água com uma concentração superior a três vezes o valor recomendado”, alertou.

O biólogo reconheceu, entretanto, esforços das autoridades para mitigar o problema, ainda que os resultados sejam, na sua avaliação, lentos.

“Não podemos dizer que as autoridades não estão a fazer nada, porque existem esforços para resolver esta situação que se arrasta há décadas. Contudo, pelo tempo que o problema persiste e pelos resultados alcançados até agora, podemos afirmar que o processo está a avançar lentamente”, disse.

Defendeu, por outro lado, que a solução não deve passar apenas pela instalação de uma dessalinizadora, mas também pela melhoria da rede de distribuição, manutenção das infra-estruturas e envolvimento das comunidades.

“A população tem de saber usar a água, poupar e reutilizar. Tudo isso pode contribuir para uma melhor gestão deste precioso líquido na ilha”, reforçou.

O especialista apelou ainda a um investimento contínuo e a estratégias integradas, combinando dessalinização, reabilitação de sistemas e sensibilização para o uso racional da água.

DM/JMV

Inforpress/Fim

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