
Mindelo, 15 Out (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio do Barlavento (CCB), Jorge Maurício, considerou hoje, em São Vicente, que a ilha tem condições naturais para o desenvolvimento da actividade, nomeadamente a qualidade das águas e a posição geográfica.
“Hoje, elegemos a economia azul e a aquacultura como um dos potenciais maiores da economia de Cabo Verde”, afirmou o responsável, durante a conferência internacional “A Aquacultura em Cabo Verde: da potencialidade à produção”, enquadrada na XII edição da Feira de Produtos Ligados ao mar (Expomar).
A mesma fonte destacou as condições naturais de São Vicente para o desenvolvimento da actividade, nomeadamente a qualidade das águas e a posição geográfica, e apontou como vantagens a diversificação económica, a criação de empregos qualificados e o reforço do abastecimento do mercado nacional.
Contudo, reconheceu que o sector exige investimentos elevados, licenciamentos céleres e estabilidade regulatória, sendo que a CCB deve contribuir para “remover obstáculos e impulsionar o ecossistema empresarial”.
Por sua vez, o sócio-gerente da Nortuna, Thomas Rodrigues, revelou que a empresa tem cerca de 290 toneladas de biomassa de esmoregal nas suas instalações marítimas em São Vicente, mas enfrenta limitações operacionais relacionadas com a falta de equipamentos e embarcações.
O responsável explicou que a empresa exporta semanalmente cerca de uma tonelada de peixe fresco para Nova Iorque e Los Angeles, mas aguarda autorização para entrar no mercado europeu, condição essencial para aumentar a produção.
Segundo a mesma fonte, a estimativa está em cerca de dez mil toneladas anuais como potencial de produção aquícola em São Vicente.
Thomas Rodrigues indicou ainda que a empresa já investiu aproximadamente 25 milhões de euros no projecto, com o cálculo que a expansão poderá gerar empregos e dinamizar a economia de outras ilhas.
O presidente do conselho de administração da Fazenda de Camarão, Carlos Santos, por seu lado, apontou os custos energéticos, as dificuldades logísticas e a falta de financiamento como obstáculos ao crescimento da produção.
O empresário explicou que a empresa investiu num laboratório próprio para assegurar a reprodução de camarão e reduzir a dependência da importação de pós-larvas.
A meta, apontou, era atingir entre 100 e 150 toneladas anuais, mas a tempestade Erin e as dificuldades estruturais comprometeram os planos de expansão.
“Se não houver uma mudança clara de visão estratégica sobre se isto é interessante ou não, ou se os poderes públicos devem apoiar uma iniciativa, vamos ficar muitos anos assim”, alertou.
Carlos Santos salientou que a produção nacional poderá substituir entre 60% e 80% das importações de camarão destinadas a São Vicente, Santo Antão e São Nicolau.
LN/AA
Inforpress/Fim
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