
Cidade da Praia, 03 Set (Inforpress) – A presidente da Alta Autoridade para a Imigração alertou hoje que a integração social e laboral dos imigrantes em Cabo Verde enfrenta desafios na habitação digna, reconhecimento de qualificações e adaptação do sistema educativo à multiculturalidade.
Em entrevista à Inforpress, Carmem Barros, disse que os estudos promovidos pela instituição revelam que a maioria dos imigrantes provenientes da África Ocidental apresenta níveis de escolaridade concentrados no ensino básico (8.º ano) e taxas de analfabetismo superiores às de outras origens continentais, o que exige respostas específicas de integração.
Na área da formação profissional e do emprego, Carmem Barros apontou a dificuldade na comprovação de habilitações como uma barreira frequente no acesso ao mercado formal de trabalho.
“Há um desafio enorme (...) que é o reconhecimento dos certificados, tanto na perspectiva de que a pessoa, quando vem, os traga, como de haver efectivamente mecanismos para os reconhecer”, explicou.
Segundo a mesma fonte, para contornar estas barreiras e responder à barreira linguística – sobretudo entre os cidadãos de países não lusófonos – a AAI tem promovido acções de capacitação alternativa e prepara, em parceria com o Ministério da Educação, o lançamento de um curso de língua portuguesa voltado para adultos.
No sector do ensino escolar, Barros salientou a necessidade de capacitar os docentes para a realidade multicultural das salas de aula, sobretudo nos municípios com maior densidade de cidadãos estrangeiros, nomeadamente Praia, Boa Vista, Sal, São Vicente e Santa Catarina de Santiago.
“O desafio das escolas tem a ver com currículos, com professores preparados para lidar com classes multiculturais. É necessário mais que o próprio currículo, que a própria formação de professores possa prepará-los para lidar com outras realidades na sala de aula”, frisou.
Aquela responsável abordou ainda a pressão habitacional, particularmente em ilhas turísticas como o Sal e a Boa Vista, sublinhando que a imigração acaba por dar maior visibilidade a fragilidades sociais que já existiam no país.
Sobre os factores que explicam esta atracção por Cabo Verde, Carmem Barros apontou a estabilidade política e social como o elemento central, além do dinamismo do sector imobiliário e turístico nas ilhas do Sal e da Boa Vista, do interesse pelo ensino superior e formação profissional, e até da projecção internacional do país através de eventos desportivos.
Perante o aumento contínuo dos fluxos, a dirigente da AAI defendeu a necessidade de uma resposta integrada e célere por parte das instituições do Estado, abrangendo áreas como a habitação, a educação e a fiscalização do mercado de trabalho.
“Rapidamente nós temos de poder desenvolver, a todos os níveis (...) a capacidade de resposta a nível do Estado de Cabo Verde no seu todo”, concluiu.
SC/HF
Inforpress/Fim
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