
Cidade da Praia, 11 Mai (Inforpress) - Os responsáveis do futebol africano defenderam hoje, na cidade da Praia, maior união entre os países do continente, valorização dos agentes desportivos e reforço da liderança feminina como pilares para o crescimento do futebol africano.
Esta posição foi manifestada à margem da quarta edição da Conferência Africana dos Agentes de Futebol FIFA (AFAC 2026), que decorre na cidade da Praia e reúne dirigentes, agentes da FIFA e representantes do ecossistema futebolístico africano.
O presidente da Associação Africana de Agentes de Futebol (AFAA), Michael Sodeke, afirmou que a conferência procura aproximar os diferentes espaços linguísticos do continente através do futebol.
“Na África, nós somos um. E o futebol nos traz juntos”, declarou, ao lembrar que as anteriores edições decorreram em contextos anglófono e francófono, chegando agora ao espaço africano de língua portuguesa.
Segundo Michael Sodeke, a conferência constitui uma oportunidade para debater o desenvolvimento do ecossistema do futebol africano e a profissionalização da actividade dos agentes licenciados pela FIFA.
Aquele responsável manifestou ainda preocupação com a saída de jovens talentos africanos para o futebol europeu sem retorno significativo para os países africanos.
“Não queremos uma situação em que o melhor talento da África seja exportado para o futebol europeu sem que a África ganhe nada”, advertiu.
O dirigente referiu igualmente a assinatura, em 2024, de um memorando de entendimento entre a AFAA e a FIFA, visando harmonizar a profissão de agente desportivo em África.
Michael Sodeke elogiou também o crescimento do futebol cabo-verdiano, considerando que o país atravessa um momento de afirmação internacional, após o apuramento para o Campeonato do Mundo.
O presidente da AFAA mostrou-se convicto de que Cabo Verde poderá alcançar uma participação positiva no Mundial, atribuindo esse percurso ao investimento, à visão estratégica da Federação Cabo-verdiana de Futebol e à ambição do país.
Por sua vez, a antiga secretária-geral da FIFA, Fátima Samoura, classificou o evento como uma “plataforma extraordinária” para os profissionais do futebol africano.
“Se as mulheres não estiverem ao nível desses fóruns de decisão, o avanço do futebol feminino levará muito mais tempo”, afirmou Fátima Samoura, ao abordar a necessidade de reforçar a presença feminina nos espaços de liderança desportiva.
A antiga dirigente da FIFA explicou que a sua participação na conferência incidiu sobre a liderança feminina no futebol africano e o posicionamento das mulheres agentes no ecossistema futebolístico continental.
Fátima Samoura recordou ainda que, durante a sua passagem pela FIFA, houve progressos na representação feminina nos órgãos de decisão da instituição, com o aumento do número de mulheres no Conselho da FIFA e na presidência de federações nacionais.
Questionada sobre a qualificação de Cabo Verde para o Mundial, considerou que o feito ficará marcado na história do futebol africano.
“Não há pequenos países no futebol”, sublinhou, atribuindo o sucesso cabo-verdiano ao trabalho desenvolvido pela Federação Cabo-verdiana de Futebol, ao empenho das autoridades nacionais e ao acompanhamento da Confederação Africana de Futebol (CAF).
KF/SR//ZS
Inforpress/Fim
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