Vera Duarte saúda com entusiasmo vozes novas que vem aparecendo na literatura cabo-verdiana

Cidade da Praia, 12 Ago (Inforpress) – A escritora cabo-verdiana Vera Duarte disse hoje que vê com “muita alegria e reverência” a renovação na literatura cabo-verdiana, isto é, as vozes novas que estão a despontar na literatura cabo-verdiana.

A autora do mais recente livro “Cabo Verde: Um Roteiro Sentimental, viajando pelas Ilhas da Sodad, do Sol e da Morabeza” publicado em Julho, numa parceria com a sua sobrinha Susana Duarte, uma jovem da diáspora especialista em comunicação, falava em entrevista à Inforpress por ocasião do Dia Internacional da Juventude, que hoje se assinala.

Vera Duarte, que se estreou na literatura em 1993, com o livro de poemas “Amanhã Amadrugada” e recebeu o prémio Sonangol de Literatura com o seu primeiro romance, “A Candidata (2003)”, enalteceu o facto de hoje em dia cada vez mais jovens estarem a enveredar por essa área, principalmente as mulheres.

“Eu saúdo com muito entusiasmo todas as vozes novas que vem aparecendo na literatura cabo-verdiana, porque eu acredito que cada um traz um enriquecimento a esse edifício que nós queremos que seja, efectivamente, um edifício que dê muito prestígio ao nosso país”, enalteceu.

Para uma das fundadoras da Académica Cabo-verdiana de Letras, é uma honra participar em antologias ou obras colectivas com autores consagrados, mas também se sente honrada em participar em antologias com gentes novas, sobretudo a juventude.

Conforme referiu, actualmente está a participar numa antologia de contos, uma iniciativa da Câmara de Oeiras (Portugal) com escritores consagrados como Mia Couto (Moçambique), Nélida Piñon (Brasil), Luís Carlos Patraquim (Maputo), entre outros.

Em Cabo Verde, foi convidada a participar numa antologia “Mulheres e Destinos”, impulsionada pela professora Lena Marçal e pela escritora Yara dos Santos, uma iniciativa que considerou ser interessante pelo facto de estarem envolvidas mulheres que nunca escreveram e que vão escrever pela primeira vez.

“Acho isso extremamente aliciante e eu incentivo muito e quando vou intervir falo muito nos novos valores da literatura cabo-verdiana. Obviamente que eu dedico uma especial atenção às mulheres que considero que foi uma camada esquecida ao longo dos tempos, portanto, agora tudo que nós podemos dar de visibilidade da escrita de mulheres é muito importante”, salientou.

Ajuntou que sempre que fala de mulheres faz referências às antigas escritoras, as actuais que estão a afirmar-se no universo literário cabo-verdiano e as que estão a despontar.

Para a mesma fonte, essa juventude está a trazer um “novo olhar e uma nova proposta” para a escrita literária cabo-verdiana.

“Eu já pertenço a uma geração mais antiga, eu tenho a minha forma de escrever um conto, uma poesia, ou um romance, mas cada vez mais vão aparecendo novas formas, novas propostas e novos desafios e é normal que seja essa juventude que está a chegar, essas novas vozes que tragam também essas novas propostas, porque eu acho que isto só enriquece a literatura cabo-verdiana”, enalteceu, assegurando que poderá não seguir essas novas propostas, mas que vê com muita alegria e muita reverência a renovação na literatura cabo-verdiana.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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