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UCID apela ao Governo a resolver a situação por que passam os marinheiros cabo-verdianos

Cidade da Praia, 19 Jul (Inforpress) – A UCID apelou hoje ao Governo para resolver a situação dos marítimos, criando uma legislação que melhor sirva os interesses desta classe profissional.

Na sua declaração política, a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (oposição) pediu ao executivo que aja em “tempo útil”, de modo a cuidar, acima de tudo, dos marítimos emigrantes que labutam lá fora e, segundo o líder desse partido, se tiverem algum percalço pelo caminho ficam “condenados ao fracasso”, porque “não têm nenhuma protecção e ninguém que lhes possa estender as mãos para os ajudar”.

Na perspectiva dos parlamentares da UCID, os marinheiros portadores das cédulas marítimas cabo-verdianas experimentam dificuldades, pelo que, quando chegam aos países de acolhimento, se sentem obrigados a procurar outros documentos para poderem trabalhar.

“São questões que entendemos que o Governo deve levar em consideração para facilitar os nossos compatriotas”, indicou António Monteiro, alertando que as companhias estrangeiras podem deixar de contratar os marinheiros nacionais residentes, por exemplo, em S. Vicente, São Nicolau, Sal ou Santo Antão, por causa dos custos com as passagens para solicitarem um visto na Cidade da Praia.

Os deputados do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) juntaram a sua voz às preocupações da UCID, lembrando que o assunto dos marítimos é uma matéria que “há muito tempo está sobre a mesa e, por isso, deve ser resolvida”.

Por sua vez, os parlamentares eleitos nas listas do Movimento para a Democracia (MpD-poder) prometeram que o problema vai ser resolvido pelo actual Governo, enquanto, disse João Gomes, o PAICV esteve 15 anos no poder e “não teve a coragem de o resolver”.

Nessa dança de acusações entre os grupos parlamentares (GP) do MpD e do PAICV sobre quem já devia ter resolvido o problema dos marítimos entraram os respectivos líderes para reconhecerem que é necessário dignificar esta classe profissional.

Rui Semedo, presidente do GP do partido da estrela negra, desafiou o MpD a aprovar com o seu grupo parlamentar uma proposta de legislação sobre a questão dos marítimos.

“Nós não legislamos sob pressão. O Governo e a maioria do MpD estão a ter esta questão em devida conta e será resolvida pelos caminhos considerados os melhores”, declarou Rui Figueiredo Soares, presidente do grupo parlamentar do MpD.

O Parlamento discutiu ainda dois votos, sendo um de congratulação, apresentado pelo deputado da UCID João Santos Luís, referente ao trabalho realizado pelo cidadão Honório Fragata em prol da sociedade cabo-verdiana e um outro de pesar lido na voz do líder do GP do PAICV sobre o combatente da liberdade da pátria Joaquim Pedro Silva (Baró), recentemente falecido, na Cidade da Praia.

O Governo, através do ministro de Estado e da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, também associou-se aos dois votos, tendo-se congratulado, primeiro, com o desempenho do cidadão angolano Honório Fragata, que se naturalizou cabo-verdiano e, depois, manifestou a sua dor pelo desaparecimento físico do Joaquim Pedro Silva, que considerou como sendo um dos “mais famosos combatentes da liberdade da pátria”.

Os dois votos vão ser esta tarde submetidos à votação pela plenária.

LC/JMV

Inforpress/Fim