Trinta por cento dos crimes participados são executados por menores de 12 anos – estudo “Ami ê di Paz y bó?”

Cidade da Praia, 17 Jan (Inforpress) – O pastor e teólogo da Igreja Nazarena Licínio Melo alerta para o aumento da criminalidade juvenil ao revelar que 70% dos crimes participados em 2021 terão sido praticados por 204 menores, dos quais 30 suspeitos com menos de 12 anos.

O mentor do projecto “Ami ê di Paz y bó?” revelou que estes menores têm menos de 16 anos e ultrapassam os 200, pelo que considerou ser preocupante para um país cuja projecção prevê um crescimento populacional residente nos 621 mil habitantes, contra os 531 mil reconhecidos pelo INE em 2016.

Idealizado para busca de solução para a prevenção e combate à violência urbana e delinquência juvenil, “Ami ê di Paz y bó?”, no seu estudo dedicado a capital do país, que acolhe 29,4 por cento (%) da população nacional, constatou-se que deste universo da população urbana 40% nasceram fora do concelho, dos quais 35% provenientes de outros municípios e 5% emigrantes.

A cidade da Praia, refere o estudo, produz uma grande parte da riqueza do país, 43,2% do PIB, mas a pobreza é real, pois cerca de 27% dos habitantes desta urbe são considerados pobres, já que um em cada quatro moradores vive com menos de 271 escudos diários.

A este propósito, este pastor, licenciado em teologia pelo Seminário Teológico Nazareno do Brasil desde 1995, entende que com o crescimento da pobreza veio a delinquência e a violência, marcado por índice de criminalidade no país, sobretudo nas zonas urbanas, sendo que os “pequenos crimes” se afiguram como os mais identificados pela Polícia Nacional e o INE.

Quadro civil da Polícia Nacional, instituição na qual trabalha no Gabinete Estratégico da Acção Policial, Licínio Melo baseou-se nos dados e ocorrências registados na Polícia Nacional, para expôr que em 2021 houve um aumento de criminalidade por ordem dos 33% na Praia, sendo que 2018 a 2020 o número destes incidentes diminuiu.

Licínio Melo mergulha nos dados do INE que apontam que a maioria dos cabo-verdianos, o equivalente aos 53% é alvo de um crime, mas não apresenta queixa, ao passo que dos 70% dos crimes participados em 2021 terão sido praticados por mais de 200 menores de 16 anos.

Do universo de mais de 18.000 participações recebidas, explicitou, a Polícia Nacional esclareceu quase 13 mil, sendo que conseguiu-se identificar os autores dos crimes em 13.869 participações, com o agravante de 1,5% destes serem menores, correspondendo a um total 204 menores, dos quais 30 suspeitos com menos de 12 anos.

“Cerca de 48,9% dos autores de crimes não têm mais de 30 anos, 89,4% são do sexo masculino. Crimes contra pessoas e patrimónios são os mais cometidos. Identificou-se sete mil e tal autores, dos quais 105, correspondente a 1,3% do total eram à data menores de 16 anos”, realçou, acrescentando que se identificou mais de 500 mil autores em crimes contra patrimónios, dos quais 99, isto é, 1,7% eram menores.

“Ami é di paz e Bo?” considerou no seu estudo, realizado sob o lema “Djuntu pa nos segurança, Praia seguro tem bom futuro”, que a questão da urbanização associada à situação económica precária das famílias têm contribuído para que a Praia esteja nesta onda de criminalidade, asseverando que a delinquência e violência nos bairros instigados pelos jovens afiguram-se como os mais graves problemas que a cidade enfrenta até agora.

Activista social com largas experiência no trabalho da intervenção comunitária e com os jovens, Licínio Melo acredita que o Plano Nacional de Segurança Interna e Cidadania, realizado através dos comandos regionais nas esquadras, permite a Policia Nacional ter um trabalho de proximidade nas comunidades.

Também presidente da Associação Francofonia Shalom, Licínio Melo, tem vindo desde 2007 a trabalhar com grupos de jovens envolvidos em brigas de gangues “thugs” nos bairros da cidade da Praia.

Referenciado como mentor e figura principal no processo de reconciliação e pacificação dos seis grupos rivais no bairro do Brasil em Achada de Santo António em 2011, Licínio Melo tem dedicado à sua acção social nos últimos 16 anos em vários bairros da cintura urbana da capital a trabalhar a problemática da violência urbana e delinquência juvenil.

Para a materialização deste projecto, Licídio Melo revelou que a sua equipa teve de deslocar-se ao terreno, onde auscultou os líderes religiosos e associativos, como o superintendente da Igreja Nazarena, director do campo Africano e o padre João Augusto, em nome de cardeal Dom Arlindo Furtado.

O estudo envolveu ainda associações de Safende, de Achada de Santo António, de Kelém e jovens das localidades dos Marrocos, do bairro de Achada Grande Trás, de Kelém, da Achada de Santo António e de Eugénio Lima.

SR/CP

Inforpress/Fim

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