Sensibilidade do Governo é alta em relação ao aumento do preço dos derivados do trigo – primeiro-ministro

Cidade da Praia, 17 Jan (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, disse hoje que a “sensibilidade do Governo é alta” em relação ao aumento do preço dos derivados do trigo, adiantando que o Executivo irá fazer uma avaliação e tomar a melhor decisão.

“O nível de sensibilidade é alto, até porque nós andamos a subsidiar desde praticamente o início da pandemia. Isso envolveu mais de 176 mil contos de subsídios aos cereais, agora durante a fase mais inflacionista provocada pela guerra na Ucrânia continuamos a subsidiar, não só o trigo, mas um conjunto de outros produtos”, disse o chefe do Governo.

Ulisses Correia e Silva, que falava à imprensa à saída de uma visita às instalações da Procuradoria-geral da República, na cidade da Praia, adiantou ainda que o Governo vai fazer uma avaliação da situação na quarta-feira, 18, e tomar a melhor decisão.

“Voltar a subsidiar é uma possibilidade que estará sempre sobre a mesa”, garantiu Ulisses Correia e Silva, relembrando que o pão não é um produto tabelado, pelo que defende a criação de condições, de facto, para que haja “um melhor sentido de regulação” entre o consumidor e o produtor.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, reconheceu segunda-feira que a situação do aumento do trigo “é preocupante”, ao mesmo tempo que indicou um parecer do Secretariado Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional que não recomenda a continuidade da compensação devido a avultados custos.

Também na segunda-feira, o maior partido da oposição, o PAICV, pediu a “reposição imediata” do subsídio da farinha de trigo como a “melhor forma” que o Governo tem para diminuir o preço do pão, sublinhando que se trata de “um dos principais alimentos” dos cabo-verdianos.

O pedido foi feito pela deputada Adelsia Almeida, eleita nas listas do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), em conferência de imprensa, na Cidade da Praia, sobre o “aumento gradativo de preços” registado nos últimos tempos.

Para a parlamentar, o Governo tem que reflectir sobre a sua posição ideológica e a teoria do mercado, porque no contexto de incerteza da economia nacional e internacional, em que as famílias cabo-verdianos ainda estão sendo atingidas pelos impactos das crises, “sem rendimentos, sem emprego e aumentos salariais residuais, os cabo-verdianos sentem anualmente a “degradação seu salário real”.

“Os cabo-verdianos vêm enfrentando um aumento generalizado do custo de vida, com aumento de preços de quase todos os bens de primeira necessidade. Menosprezando a grave situação de aperto em que as famílias vivem, na qual muitas não conseguem levar a panela ao lume, neste novo ano”, afirmou.

GSF/AA

Inforpress/Fim

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