Sector privado reconhece impacto das medidas do Governo mas quer celeridade na aprovação dos projectos

Cidade da Praia, 03 Fev (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, Jorge Spencer Lima, reconheceu hoje os impactos das medidas do Governo junto do sector empresarial, mas defendeu a necessidade de acelerar os passos na aplicabilidade das mesmas.

Jorge Spencer Lima, que falava aos jornalistas na sequência da realização hoje, na Cidade da Praia, do encontro dos empresários de Santiago, apontou particularmente para a questão do financiamento e disse que mais do que aumentar o montante disponibilizado para créditos aos empresários é preciso mais rapidez nas decisões.

“O Governo criou uma série de medidas para facilitar o financiamento, através das entidades com a pró-empresa, a pró-garante e pró-capital, que têm por função criar um ambiente favorável ao financiamento às empresas, mas isso tem de contar com participação dos bancos e os empresários continuam a encontrar entraves”, explicou.

Jorge Spencer Lima congratulou-se com o anúncio do Governo de aumentar o montante para o ecossistema de financiamento de um milhão para cinco milhões de contos em 2020.

Contudo, frisou que mais que o aumento do montante, são necessários os mecanismos para facilitar a sua aplicabilidade, ou seja, garantir que de facto os empresários tenham acesso ao financiamento.

Neste sentido, considerou de “inadmissível” que um projecto esteja quatro ou seis meses à espera de garantia para ser submetido ao banco para financiamento.

“O discurso do Governo é que projectos têm de ser rentáveis, mas você vai passar quatro, cinco ou seis meses para conseguir ter garantia, para depois apresentar o pedido de financiamento, é claro que o projecto já não é rentável. Por isso que defendemos que é necessário fazer as coisas de forma rápida e célere para que elas respondam às necessidades reais das empresas num determinado momento”, sustentou.

Em reacção, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que presidiu à abertura do encontro, disse que hoje existem em Cabo Verde condições muito mais favoráveis do que existiam há alguns anos.

“O Governo, não só tem linhas de créditos disponíveis para micro, pequenas e grandes empresas, como está a bonificar taxa de juros, está a partilhar risco de crédito, porque o Governo assume a comparticipação em termos de coberturas de garantias até 50%, sendo que alguns casos podem ir até 80%. Tem instrumentos de capital de risco que permite aumentar os fundos próprios das empresas”, elucidou.

“A dinâmica empresarial existe e os investimentos estão a acontecer”, sustentou.

Sobre a lentidão nas respostas, Ulisses Correia e Silva reconheceu que a administração pública cabo-verdiana não é ainda aquela que o Governo e os cidadãos ambicionam, mas adiantou que “fortes investimentos” na economia digital, na informatização, digitalização em curso vão garantir ao país uma administração muito mais eficaz e eficiente e que reduza o tempo de respostas.

MJB/JMV

Inforpress/fim

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