São Vicente: PAICV revela desilusão com postura do Governo perante situação reinante na câmara

Mindelo, 23 Jun (Inforpress) – O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em São Vicente mostrou-se hoje desiludido com a forma como o Governo tem tratado a situação reinante na câmara de São Vicente, que classificou de “total descaso”.

Segundo Adilson Jesus, hoje em conferência de imprensa, no Mindelo, o Governo da República, que tem a tutela da legalidade sobre as autarquias, parece não estar preocupado com a situação por que passa o município de São Vicente, que poderá “em última instância levar à realização de eleições intercalares no município, situação que ninguém deseja”.

“O Governo simplesmente finge agir ao enviar dois técnicos da Administração Central para auscultar os eleitos municipais e estruturas da autarquia, sem um mandato de inspeção oficial, perante uma situação tão grave”, acusou a mesma fonte, que estava à espera, como disse, que viessem a São Vicente inspectores para uma auditoria oficial e esses pudessem produzir um relatório oficial que ajudasse a tutela a intervir com “maior propriedade”.

Assim como está feito, continuou, a acção de auscultação e averiguação “não terá nenhuma consequência” administrativa, jurídica ou política, antes, o primeiro-ministro ou a ministra a Coesão Territorial deveriam deslocar-se a São Vicente e sentarem-se à mesa com o presidente da câmara e todos os vereadores.

Aliás, Adilson Jesus disse não entender a “incoerência do Governo”, que sabendo da difícil situação que o mundo vive e tendo já declarado uma situação de emergência social e económica em Cabo Verde, derivada dos impactos da guerra na Ucrânia, permita que a situação de “ingovernabilidade na câmara municipal degrade mais ainda” e chegue a ponto de ser necessária a realização de eleições intercalares.

Estas, continuou, “necessariamente irão sorver recursos dos contribuintes”, que poderiam ser utilizados para acudir as famílias mais carenciadas.

O líder partidário questionou ainda um Governo com “total à vontade” para ir “pedir aos parceiros internacionais” que concedam à Cabo Verde recursos dos seus contribuintes para fazer face aos problemas do País e que “não tem em atenção a situação de São Vicente”, evitando gastos em eleições que “ninguém deseja”.

“Estranhamos ainda que tanto o MpD, na ilha, como a nível nacional e o Governo estejam ainda surdos e mudos perante a situação que se está a passar na câmara, pois nem sempre o silêncio é de ouro”, sintetizou o líder do PAICV em São Vicente.

As críticas estendem-se ao presidente da câmara Augusto Neves, que Adilson Jesus responsabiliza pelos “seis meses de ausência da Câmara Municipal de São Vicente e mais de 12 sessões camarárias não realizadas”, já que Neves insiste, segundo a mesma fonte, em querer “condicionar toda a ilha e os seus munícipes e eleitos” a seguirem pela sua cartilha de “eu quero, posso e mando”.

O clima de desentendimento entre os três partidos – MpD, UCID e PAICV – na câmara de São Vicente mantém-se e há seis meses não são realizadas as reuniões ordinárias quinzenais, o que contraria o artigo 91º do Estatuto do Municípios.

AA/HF

Inforpress/Fim

 

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