São Vicente: “Oxalá pudesse fazer mais pelo Mindelact” – Abraão Vicente

Mindelo, 07 Nov (Inforpress) – O ministro da Cultura, Abraão Vicente, assegurou que gostaria de “fazer mais” pelo Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact, que considerou ser um “património imaterial” de Cabo Verde conseguido nestes 25 anos de existência.

Para o ministro “nenhum evento tem tanta alma, tanto afecto como o Mindelact” e os seus 25 anos de existência mostram a “relevância” deste festival iniciado em 1995, assegurou este governante durante a cerimónia de abertura das bodas de prata, realizada na noite desta quarta-feira no Centro Cultural do Mindelo.

Abraão Vicente disse ser por isso que desde 2016 tem cumprido a promessa que “pelo menos da parte do Governo” haver “estabilidade e garantia” para a realização do festival.

“E devo dizer que oxalá pudesse fazer mais pelo Mindelact e por Mindelo como cidade, de certa forma capital da cultura em Cabo Verde”, salientou.

“Celebrar os 25 anos do Mindelact é celebrar um património imaterial de Cabo verde”, lançou o ministro da Cultura, lembrando que já fez parte da equipa do evento, como voluntário, escrevendo “textos bonitos” sobre o mesmo.

“É um imenso orgulho para Cabo Verde ter uma instituição como Mindelact”, concretizou.

O presidente da Associação Mindelact, João Branco considerou, por seu lado, ser “muito difícil” levantar um evento como este num “país improvável” como Cabo Verde”.

Por isso, segundo a mesma fonte, o que sustenta este festival internacional é a “economia dos afectos”, expressão que usaram desde 2014, e que representa o “maior evento” de teatro de todo o continente africano.

O festival Mindelact decorrerá no Mindelo durante 11 dias, até 16 de Novembro, com mais de 70 espectáculos e com representação de vários países, tendo como uma das novidades o facto de que em todos os dias da programação, conforme João Branco, vai-se homenagear figuras e instituições que fizeram desta história.

Neste rol de homenagens, o certame pretende destacar a pessoa que mais assistiu aos espectáculos, o actor ou actriz que mais pisou os palcos do festival, o fotógrafo e a jornalista que cobriram mais peças, a primeira instituição nacional a acreditar no evento e outros.

Também presente no acto, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, afiançou ser Mindelact um “momento de teatro ímpar” da ilha de São Vicente.

“Um momento de aprendizagem, convívio, conhecimento de outras realidades e de outras culturas”, sublinhou, prometendo estar “sempre junto para potencializar o teatro e oferecer à população mindelense tudo aquilo que merece para desenvolvimento económico da ilha”.

Diversos elogios que contrastaram com o posicionamento de Elísio Leite, que falou em nome dos artistas, e para quem “apesar de já se ter vivido um tempo em que as coisas estavam a melhorar, neste momento vive-se uma situação de retrocesso”, apesar da realização do festival Midelact.

“As dificuldades estão a aumentar e ficamos com a sensação que os responsáveis por estas dificuldades são os próprios agentes teatrais desta ilha. Aqueles com melhores condições estão a dificultar a vida àqueles com menos condições”, reiterou, com a convicção que Associação Mindelact tem impulsionado, mas poderia “impulsionar mais”.

Também bem crítico para a própria classe, Elísio Leite disse esperar uma “postura de culturalização teatral, sem exibicionismo barato, sem pretensões maníacas, que se vêem notando na postura de certos jovens actores, encenadores e dramaturgos da ilha”.

Além da cerimónia, a abertura do Mindelact também se fez com uma performance, com batucada, malabarismo, personagens, que caminhou desde o Palácio do Povo até o Centro Cultural do Mindelo, lugar do Palco 1 do festival.

LN/ZS

Inforpress/Fim

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