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São Vicente: Hospital Baptista de Sousa com primeiro serviço de baixa visão do país – responsáveis

Mindelo, 10 Jul (Inforpress) – O Hospital Baptista de Sousa (HBS) detém neste momento o primeiro serviço de baixa visão do país, que opera há cerca de dois anos e tem permitido atribuir “maior qualidade de vida” aos pacientes.

Este serviço foi montado, segundo a oftalmologista e também responsável da Policlínica do HBS, Karina Mascarenhas, graças a doações da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que permitiram obter utensílios ópticos, que auxiliam pessoas com visão muito baixa.

O diagnóstico tem sido feito pela equipa de oftalmologistas e ortoptistas do hospital, que tentam ajudar os pacientes a ter “maior qualidade de vida” e fazer as tarefas diárias com “mais facilidade”, assegurou a especialista, em entrevista à Inforpress a propósito do Dia Internacional da Saúde Ocular, que se celebra hoje.

“Seleccionamos as pessoas com visão subnormal e os ortoptistas veem qual a técnica que mais se adapta a cada paciente e dão as primeiras instruções”, explicou Karina Mascarenhas, adiantando que este atendimento está ser complementado com o seguimento aos pacientes, dado pela Associação de Deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC).

Assim com uma oferta que inclui binóculos, lupas, aparelho CCTV de ampliação de textos e ainda testes, o HBS, segundo o ortoptista Quintino da Luz, avançou à Inforpress, já conseguiu mudar a situação de cerca que 40 pessoas, nestes dois anos de funcionamento.

“Com estes auxílios as pessoas conseguem muito mais autonomia para as tarefas diárias, para deambular dentro de casa e outras como apanhar um autocarro”, considerou este técnico, referindo que antes doavam estes utensílios aos utentes, mas agora com um “stock mais limitado” utilizam para fazer os testes e aconselham cada paciente a adquirir os aparelhos, “conforme a disponibilidade financeira”.

Mas, concretizou, é certo que conseguiram “aumentar a qualidade de vida” de várias pessoas, inclusive de algumas que estavam já em “estados depressivos”.

Entretanto, a baixa de visão, disse Karina Mascarenhas, não é de perto e nem de longe a com maior incidência no que se refere a doenças oftalmológicas detectadas nos sanvicentinos e nos cabo-verdianos em geral. Segundo a especialista, a preocupação maior está nos erros refractivos, glaucoma, cataratas e retinopatia diabética.

“Por isso, que eu digo que não há idade para consultas, é desde a hora do nascimento até ao último suspiro”, asseverou, repisando sobre a necessidade de se fazer o controlo nos recém-nascidos, cuja visão ainda está em formação até aos sete anos, para se poder detectar “problemas perfeitamente reversíveis”.

Outro alerta, conforme a especialista, vai para as complicações de visão que surgem devido a acidentes de trabalho causados pela “falta de protecção”.

Por outro lado, acrescentou, também já está provado que as novas tecnologias vão tornar muitas pessoas míopes, daí, considerou, mostra-se necessário diminuir o uso, e tomar “algumas precauções simples”, como se lembrar de piscar os olhos várias vezes por dia.

Situações diversas atendidas na Policlínica do HBS, que, di-lo Karina Mascarenhas, tem feito um “bom trabalho”, apesar de funcionar com “muito pouco recurso humano”.

Prova disso, segundo a mesma fonte, são os mais de 400 atendimentos mensais feitos pelos dois médicos oftalmologistas e que permitem ter uma fila de espera “pouco significativa” com consultas e marcações que não transpassam de um ano para o outro.

“Se tivéssemos mais pessoal, com certeza poderíamos fazer um trabalho melhor”, assinalou a especialista, referindo ao facto de darem cobertura à São Vicente, mas também as ilhas de Santo Antão e São Nicolau.

Também com mais médicos, segundo a mesma fonte, teriam a possibilidade de diminuir a lista de espera de operações de cataratas, esta sim “muito grande”, que têm tentado dar resposta com ajuda de especialistas vindos do exterior, esporadicamente, e, nos próximos tempos, com a vinda de oftalmologistas-cirurgiões do Hospital Agostinho Neto, na Cidade da Praia.

LN/CP

Inforpress/Fim