São Nicolau: Projecto TARSAN recolhe amostras biológicas para estudos genéticos

Tarrafal de São Nicolau, 09 Out (Inforpress) – O projecto de conservação das tartarugas marinhas de São Nicolau (TARSAN) recolheu, durante a época de desova, entre Julho a Outubro, várias amostras biológicas para estudos genéticos para poder comparar com diferentes grupos de tartarugas de outras ilhas.

A coordenadora do projecto, Heidy Medina, em entrevista à Inforpress, explicou que as amostras de parasitas e tecidos enviadas à Universidade Queen Mary, na Inglaterra, visam estudar as possíveis migrações de tartarugas entre as ilhas e a procedência da população caretta caretta de Cabo Verde.

“Temos demonstrado que há diferentes grupinhos dependendo das ilhas. Isto aumenta a importância das ilhas com menos tartarugas, porque representam um stock genético importante para a população geral” disse.

Avançou ainda que “os parasitas são para controlar a presença ou não de um vírus que pode gerar fibropapilomas. Este vírus está presente em outras populações do Atlântico e é transportado pelo verme que parasita a cloaca das tartarugas” explicou a mesma fonte.

Segundo a responsável, as amostras vão permitir ainda estudar a alimentação das tartarugas através do “estudo dos isótopos estáveis”, conforme explicou, “estes são como um registo das fontes de alimentação das tartarugas e até podemos identificar a zona geográfica onde se alimentaram”.

A campanha de monitorização das actividades reprodutivas e conservação das tartarugas em São Nicolau caminha para o fim, em jeito de balanço, a coordenadora do projecto, disse que foram desenvolvidas actividades de sensibilização com palestras nas escolas primárias e secundárias. No entanto, apontou alguns constrangimentos, designadamente, falta de engajamento da população, e a apanha ilegal de tartarugas.

“A população em geral não engajou muito nas actividades de sensibilização que fizemos durante este tempo. Sentimos isso. Sentimos falta de ter a comunidade connosco para desenvolvermos o projecto” lamentou.

Quanto à apanha ilegal de tartarugas disse que as praias de Escada, praia da Luz, Grade, Praia Branca, no município de Tarrafal “continuam sem controlo”, no Município de Ribeira Brava, praia de Esgarfo, entretanto, onde se registaram mais casos, foi na localidade de preguiça”.

“O pessoal precisa sensibilizar ainda para estas questões”, disse, lembrando que Cabo Verde dispõe duma lei que protege esta espécie e pune os seus infractores.

Em relação a predadores, indicou que caranguejos, corvos e cães vadios continuam a ser as principais ameaças durante a época de desova de tartarugas. “Inclusive, já presenciamos nas praias do município de Tarrafal cães vadios a destruir ninhos de tartaruga”, exemplificou.

Durante a campanha entre Julho a Setembro, foram registados um total de 1972 saídas, dos quais 1188 foram rastos, 198 fêmeas marcadas e 784 ninhos.

Foram transferidos 13 ninhos da praia de Baixo Rocha para a praia de Cacimba como experiência, “sendo que essa praia não é estável” apontou. No entanto, “não teve sucesso”, algumas espécies acabaram por morrer, não sobrevivendo às temperaturas altas das areias “pretas” de São Nicolau.

A campanha termina a 15 de Outubro, estando a próxima marcada para o próximo ano, no mesmo período.

DG/ZS

Inforpress/Fim

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