Santo Antão: Produtores do grogue defendem restrição na importação do açúcar durante período de industrialização

Porto Novo, 23 Out (Inforpress) – Os produtores de grogue em Santo Antão defenderam hoje, no Porto Novo, a necessidade de o Governo tomar medidas que restringem a importação do açúcar durante o período de industrialização do produto, que decorre entre Janeiro e Maio.

Num encontro, esta quarta-feira, com a Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), os produtores pediram ao Governo para, “pelo menos”, durante o período de industrialização, “diminuir” a importação do açúcar, produto que acreditam que, mesmo com as acções de fiscalização, continua a ser matéria-prima no fabrico da aguardente.

Recordaram que, aquando da entrada em vigor, em 2015, da lei do grogue, o produto “valorizou-se muito”, com um garrafão a custar oito mil escudos, lamentado que, mesmo com as acções periódicas, em termos de fiscalização, por parte da Inspecção das Actividades Económicas (IGAE), “grande parte” das bebidas alcoólicas, incluindo a aguardente, esteja, nos últimos anos, a ser produzida “sem qualquer controle”.

A nível nacional, a ERIS confirmou que mais de 90% das bebidas alcoólicas em Cabo Verde são produzidas de forma irregular e chegam ao mercado sem controle.

Santo Antão, onde um garrafão de grogue custa, nesta altura, entre quatro e seis mil escudos, detém 80% do potencial de cana sacarina em Cabo Verde, mas, mesmo assim, o açúcar é ainda muito utilizado no fabrico da aguardente, denunciaram alguns produtores, que alertaram para a necessidade da IGAE reforçar a fiscalização, nesta ilha.

Os produtores defenderam ainda a necessidade de se abrir a prometida delegação do IGAE no Porto Novo e de se equipar o laboratório de controle de qualidade, em Afonso Martinho, Ribeira Grande, que já está em funcionamento, mas que precisa ser melhor apetrechado.

O encontro com a ERIS teve como propósito a socialização da proposta do regime jurídico que define as bebidas alcoólicas e suas categorias em Cabo Verde, diploma que, acredita a entidade reguladora, vai responder às inquietações dos produtores, já que, pela primeira vez em Cabo Verde, vai haver uma lei que tipifica as bebidas alcoólicas e estabelece ainda os princípios gerais e os requisitos técnicos relativos à sua produção e comercialização.

Conforme a IGAE, existem, em todo o país, 389 unidades de produção da aguardente, 173 das quais estão situadas em Santo Antão, ilha onde tem sido apreendido material impróprio utilizado na falsificação da aguardente.

JM/CP

Inforpress/Fim

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