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Santo Antão/Perda da população: há duas formas de dar a volta a isto – Ulisses Correia e Silva

Porto Novo, 19 Jul (Inforpress) – A “sangria” em termos populacional de que Santo Antão tem sido alvo, nos últimos anos, afigura-se entre as principais inquietações dos santantonenses, que aproveitaram a visita do primeiro-ministro à ilha para questionar o Governo sobre essa problemática.

Esta região perdeu, nos últimos anos, quase três mil pessoas (a população passou de 42.552 para 39.992 habitantes) e, segundo as projecções oficiais, Santo Antão poderá ter, em 2030, menos habitantes que tinha em 1940, a manter a actual tendência de perda da população.

Conforme o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS) de Cabo Verde (2017-2021), Santo Antão tinha, em 1940, 35 mil habitantes, podendo, até 2030, dispor apenas de 33 mil pessoas, caso se mantenha este ritmo de despovoamento, uma preocupação com que Ulisses Correia e Silva voltou a ser confrontado, nesta visita a Santo Antão.

De acordo com o primeiro-ministro, há “duas formas de dar a volta” à esta situação.

A “primeira coisa a fazer”, seguindo o primeiro-ministro, é o Governo, juntamente com as câmaras municipais, “pôr a economia a funcionar”, através da dinamização do turismo, da agricultura, das pescas, formação profissional e da atracção de investimentos privados.

“Temos de atacar o problema pela via da economia”, sublinhou.

Em segundo lugar, Ulisses Correia e Silva defende a criação de condições para que a ilha seja “atractiva”, oferecendo às pessoas condições para se fixarem nas suas próprias localidades, através de uma aposta na requalificação urbana, avançou.

O Executivo, informou Ulisses Correia e Silva, pretende investir, no horizonte 2021, quase um milhão e meio de contos na requalificação urbana e ambiental em Santo Antão, ilha que está a receber, igualmente, investimentos no desencravamento das zonas com potencial económico.

O chefe do Governo, que acredita que o desencravamento das localidades pode trazer as pessoas de volta às suas localidades, referiu-se a outros projectos em carteira para esta região, sobretudo a nível do saneamento, pescas, saúde e educação.
Isso, segundo o primeiro-ministro, que, esta quinta-feira, terminou uma visita de dois dia a Santo Antão, mostra que o Governo e as câmaras municipais estão a “trabalhar” para esta ilha tenha “um futuro diferente, com mais confiança”.

Para os autarcas santantonenses, a perda da população, está a constituir “uma séria ameaça” ao futuro de Santo Antão e “o maior drama” que desta ilha, actualmente.

Santo Antão apresenta “indicadores que não estão em sintonia com os indicadores nacionais”, avisou o edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, para quem essa realidade tem levado a saída de pessoas, na maioria jovens, para outras ilhas, como São Vicente, Sal e Boa Vista, à procura de melhores condições de vida.

A construção do aeroporto e a segunda fase do porto do Porto Novo são projectos considerados “cruciais” pelos municípios para “estancar a sangria”, a da população, a que Santo Antão tem sido alvo, nesses anos.

JM/JMV
Inforpress/Fim