Santo Antão: Pai de utente acusa hospital de recusar cirurgia por falta de pagamento de taxa (c/áudio)

Ribeira Grande, 10 Mai (Inforpress) – O pai de uma utente do hospital regional João Morais (Santo Antão) acusou a administração daquela unidade hospitalar de recusar a realização de uma cirurgia por causa da falta de pagamento da taxa moderadora.

Miguel Lopes, natural do Paul, onde reside, disse à Inforpress que a cirurgia da filha foi desmarcada três vezes e que, nessas três vezes, nunca lhe foi dito que teria de pagar qualquer valor, já que tem seguro que beneficia a filha.

“A mãe veio com a nossa filha mas ela ligou-me a contar que o hospital não aceitava proceder ao internamento da menina enquanto não pagássemos quatro mil escudos”, disse Miguel Lopes, explicando que teve de deixar os trabalhadores para vir à Ribeira Grande tentar resolver o problema, já que não dispunha, no momento, do montante necessário para fazer o pagamento dessa taxa.

“Propus fazer o pagamento na próxima segunda-feira, já depois da realização da cirurgia, porque estou à espera de um dinheiro que só receberei nesse dia”, disse Miguel Lopes, que sublinhou que “a senhora da secretaria” o recebeu bem, mas que “não tinha autoridade para tomar a decisão” tendo-lhe facilitado o contacto telefónico com o administrador do hospital, que se encontrava numa reunião.

Segundo Miguel Lopes, o administrador não aceitou a proposta e sugeriu que o internamento fosse suspenso e a cirurgia adiada até que a taxa moderadora fosse paga, o que lhe causou indignação e o obrigou a pedir o dinheiro emprestado para que a filha não ficasse sem tratamento.

Contactado pela Inforpress, o administrador do hospital, Aníbal Miranda, garantiu que o hospital “nunca negou, não nega nem nunca negará atendimento a nenhum utente”, mas disse entender que do mesmo modo que as pessoas conhecem os seus direitos “têm de respeitar os seus deveres e obrigações”.

Aníbal Miranda explicou à Inforpress que a taxa moderadora é que “garante a sustentabilidade do hospital e todos, inclusive os funcionários do hospital e os segurados do INPS, estão sujeitos ao pagamento dessa taxa”, que está prevista na lei.

Neste caso concreto, continuou, a cirurgia foi marcada há cerca de duas semanas, tempo suficiente, em seu entender, para Miguel Lopes prevenir-se para o pagamento da taxa.

Segundo Aníbal Miranda, em casos de urgência a administração “pode até releva” e isentar” os utentes do pagamento da taxa moderadora, “entendendo a imprevisibilidade”, mas o caso concreto de Miguel Lopes, considerou, “não se enquadra nessa condição”, tendo em conta que a cirurgia estava marcada há duas semanas, altura em que, inclusive, o utente Miguel Lopes terá faltado ao respeito à funcionária que o atendeu.

“O certo é que quando não aceitei que o pagamento fosse feito na próxima segunda-feira, ele tirou a carteira, pagou os quatro mil escudos da taxa moderadora e disse que se não tivesse dinheiro no bolso teria recorrido ao vinti4”, declarou Aníbal Miranda que, por essa razão, não entende a atitude do utente e fica sem saber como agir nesse tipo de casos.


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Inforpress/Fim