Santo Antão: Familiares de Cândido Marçal revoltados com decisão do Tribunal da Relação do Barlavento

Ponta do Sol, 18 Jan (Inforpress) – Os familiares de Cândido Marçal, conhecido como Bomba, assassinado em Agosto do ano passado na cidade da Ponta do Sol, estão “revoltados” com a decisão do TRB que anulou e reduziu a pena dos dois arguidos do assassinato.

Em declarações à Inforpress, o irmão da vítima Anilton Marçal caracterizou o acórdão proferido pelo TRB de um “autêntico absurdo”.

“A única certeza que temos agora é que a justiça nesse País não funciona, e cada dia está de mal a pior. Cabo Verde está a tornar um lugar inseguro porque quando colocam criminosos em liberdade estão a incentivá-los a cometer crimes cada vez mais bárbaros” sublinhou.

Anilton Marçal prossegui afirmando que “não confia” mais na justiça do País, e que quando viu a notícia na Inforpress ficou incrédulo.

“Contactei de imediato os meus pais que também ficaram revoltados e com lágrimas nos olhos quando souberam que um dos criminosos tinha sido posto em liberdade e que o outro foi-lhe reduzida a pena pela metade” salientou.

Entretanto, a mesma fonte avançou que sua família está reunida para ver o que podem fazer ainda para “reverter” a decisão do TRB.

Na passada sexta-feira, 13, o Tribunal da Relação do Barlavento (TRB) absolveu um dos dois arguidos do assassinato do jovem Cândido Marçal, 30 anos, conhecido como Bomba.

O caso remonta a Agosto do ano passado na sequência de uma rixa num bar, na Ponta do Sol, após uma troca de palavras e de empurrões.

Em declarações à Inforpress, uma fonte ligada ao tribunal explicou Yuren Fonseca, conhecido como Marak, de 26 anos, a quem foi aplicada a pena de 24 anos de prisão, a mesma foi anulada, pois, de acordo com o acórdão proferido pelo Tribunal da Relação do Barlavento, Mark “não agiu em coautoria” com Nhau, ou seja, segundo o documento foram dois factos isolados e que não teve culpa no acto.

Emerson Martins, conhecido como Nhau, 25 anos, por seu lado, que fora condenado a pena de 20 anos de cadeia, a mesma foi reduzida para 12 anos por o TRB entender que o mesmo não praticou o crime de homicídio agravado, mas sim homicídio simples.

A leitura da sentença de Nhau e Marak, no tribunal da Comarca da Ribeira Grande, ficou conhecida há seis meses.

Os dois condenados, para além das penas teriam que pagar uma indemnização de 1.500 contos, cada, à filha da vítima, que é menor de idade.

O caso aconteceu no dia 11 de Agosto do ano passado num bar da cidade da Ponta do Sol, após uma troca de palavras e de empurrões, a vítima, Bomba, segundo testemunhas, teria optado por evitar a briga, mas Marak e Nhau “queriam brigar a todo o custo”.

Quando decidiu sair à rua, conforme relato de testemunhas, Bomba foi agredido com um soco e logo em seguida com o golpe de balaústre na cabeça. Cândido Marçal, Bomba tinha 30 anos e deixou uma filha menor.

LFS/ZS

Inforpress/Fim

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