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Santa Catarina: Olavo Correia culpa lideranças africanas por não terem criado oportunidades para jovens (c/áudio)

Assomada, 07 Mai (Inforpress) – O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, afirmou que a criação de oportunidades para os jovens africanos, incluindo Cabo Verde, não se deve a falta de recursos, mas sim à “incompetência” das suas lideranças.

O titular da pasta das Finanças falava na conferência inaugural intitulada “Competitividade e ambiente de negócios num pequeno Estado insular – o caso de Cabo Verde”, no âmbito da Semana de Negócios, Empreendedorismo e Gestão (US Business Week, em inglês), promovida pelo Departamento de Ciências Económicas e Empresariais (DCEE) da Universidade de Santiago (US), que decorre até sexta-feira, 10, em Assomada, Santa Catarina, sob o lema “Superando muros, construindo rumos”.

“A criação de oportunidades para a juventude não tem nada a ver com a falta de recursos, e tem a ver com a incompetência, sobretudo das lideranças dos nossos países. Cabo Verde e qualquer país africano tem todos os recursos para ser um país desenvolvido e o desafio está de facto na nossa liderança”, concretizou.

Olavo Correia, que informou que o Continente vai ter, nos próximo 50 anos, dois bilhões de pessoas, das quais 60 por cento (%) serão jovens, sustentou que precisa criar por mês cerca de um milhão emprego para os jovens.

“E criar um milhão de emprego qualificado, bem remunerado para os nossos jovens é um desafio enorme, e se não conseguirmos criá-los teremos uma bomba social de grande alcance”, alertou, lembrando que o que se está a acontecer hoje em África, referindo-se aos movimentos migratórios, deve-se àfalta de oportunidades nos países africanos.

Daí que, no entender do governante, a liderança africana “não pode permitir que isso continue”, tendo classificando de “uma autêntica vergonha” aquilo que acontece hoje no continente africano, incluindo Cabo Verde, até porque, conforme afirmou, trata-se de continente com “todos os recursos necessários” para criar as “todas as oportunidades” para a juventude.

No caso particular de Cabo Verde, precisou que o país quer criar as condições para qualificar os recursos humanos, por um lado, mas também que seja um país criador de oportunidades.

“O Estado não é desportista, não é criador, não é empresário e não é gestor, e nada disto nem tem que ser. O Estado tem a obrigação de criar um quadro de negócios, um ambiente de negócios e um clima de investimentos permitindo que os talentos possam colocar a sua capacidade ao aos serviços do nosso país. E assim que acontece em todos os demais países do mundo desenvolvidos”, reafirmou o titular da pasta das Finanças.

Relativamente ao ambiente do negócio em Cabo Verde, a mesma fonte voltou a defender que o mesmo está na criação de um quadro de conectividade, de um quadro de confiança e na preparação da juventude para “ser e para estar” no mundo.

Por outro lado, reiterou que o Estado tem, igualmente, a obrigação de criar um quadro para que as empresas possam ter uma atitude de responsabilidade para com os trabalhadores, comunidade e para com o próprio país.

A US Business Week, segundo a organização, tem como principal objectivo “abrir pontes” entre a comunidade académica, a sociedade civil e outros subsistemas, promovendo a troca de ideias de aspectos estruturais e conjunturais nos eixos da educação, economia, comunicação e empregabilidade.

Nesse sentido, para se alcançar tal desiderato, o DCEE trará, durante esta semana, instituições e especialistas nacionais para a academia para debater a realidade cabo-verdiana sob várias perspectivas, palestras, feira com produtos tradicionais, artesanais e industriais de Cabo Verde, feira de negócios e empreendedorismo, feira gastronómica, tertúlias e actividades culturais.

FM/AA

Inforpress/Fim