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Rússia prolonga por mais três meses detenção dos 24 marinheiros ucranianos

Moscovo, 17 Jul 2019 (Inforpress) – A justiça russa prolongou hoje por mais três meses a detenção de 24 marinheiros ucranianos na sequência de um incidente naval em Novembro, e quando prosseguem discussões entre Moscovo e Kiev sobre uma possível troca de prisioneiros.

O tribunal moscovita de Lefortovo prolongou até 24 de Outubro a detenção dos 24 marinheiros, que considera “prisioneiros de guerra”, e quando a Rússia os acusa de entrarem ilegalmente no seu território.

Os marinheiros chegaram ao tribunal sob escolta policial e foram aplaudidos por familiares e amigos, segundo a agência noticiosa AFP.

Liudmila Denissova, representante ucraniana para os direitos humanos, também esteve presente.

A libertação destes 24 militares capturados por guarda-costeiros russos ao largo da Crimeia, a península anexada pela Rússia em 2014, foi segundo Kiev a “questão-chave” abordada na semana passada durante o primeiro contacto telefónico entre o novo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o seu homólogo russo Vladimir Putin.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, indicou hoje aos jornalistas que o assunto foi abordado, mas que de momento “não existem formais” para a sua libertação.

No entanto, Liudmila Denissova e Nikolaï Polozov, o advogado que dirige a equipa que defende os marinheiros ucranianos, referiram que a Ucrânia e a Rússia estão a negociar uma possível troca de prisioneiros.

Denissova e a sua homóloga russa, Tatiana Moskalkov já terão analisado uma lista de prisioneiros, com a lista ucraniana contendo “150 casos”, segundo a representante de Kiev.

“A pressão sobre a Rússia para libertar os prisioneiros sem condições vai aumentar”, comentou a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros ucraniana, Olena Zerkal, ao considerar que o prolongamento da sua detenção apenas “agravará a situação”.

Em Novembro de 2018, um incidente entre navios de guerra ucranianos e guarda-costeiros russos ao largo da Crimeia terminou com a apreensão das três embarcações ucranianas. Três marinheiros ficaram feridos.

A Rússia denunciou uma “agressão” e afirma que entraram ilegalmente nas águas territoriais russas, e quando a Ucrânia assegura ter avisado o vizinho sobre o percurso dos seus navios, que se dirigiam para o mar de Azov partilhado entre os dois países, e acusa Moscovo de ter violado o direito internacional.

Apesar dos apelos à sua libertação, a Rússia anunciou por diversas vezes que vão ser julgados.

Lusa/Fim