Risco de um cabo-verdiano desenvolver cancro depois dos 75 anos é de 18,6%, diz ministro

Cidade da Praia, 23 Jun (Inforpress) – O ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, disse hoje, na Cidade da Praia, que se calcula que, em Cabo Verde, o risco de se desenvolver um cancro após os 75 anos de idade é de 18,6 por cento (%).

No seu discurso de abertura do I Congresso Internacional sobre o Cancro e V Congresso sobre o Cancro da AORTIC/PALOP que decorre, hoje e sexta-feira, sob o lema “Inovação e Humanização”, Arlindo do Rosário considerou que, em Cabo Verde as doenças oncológicas constituem um sério problema de saúde pública.

Na sua comunicação, Arlindo do Rosário explicou que a estes dados, acrescem ainda os impactos, directos e indirectos, que o cancro tem no sistema nacional de saúde, derivados dos elevados custos associados ao tratamento, assim como os impactos, muitas vezes imensuráveis no bem-estar psicológico, social e económico quer seja para o doente, como para o sobrevivente e suas famílias.

“É, assim, de extrema importância que unamos as nossas forças e as nossas acções para agirmos e intervirmos de forma coordenada, em estreita articulação e sempre orientados pelas evidências científicas mais actuais, por forma a respondermos de forma cabal e assertiva a este, repito, grave problema de saúde pública”, disse, sublinhando que em Cabo Verde tem havido um progresso notável na luta contra o cancro.

Arlindo do Rosário, que avançou que o programa nacional de luta contra as doenças oncológicas, através do seu plano estratégico, apresenta linhas orientadoras estratégicas que incidem, essencialmente, nas políticas de promoção da saúde e prevenção primária, indicou que o sistema nacional de saúde tem sido reforçado, nos últimos anos, quer seja na sua melhoria como nas infra-estruturas e na aquisição de equipamentos.

Neste âmbito, sublinhou a necessidade da colaboração com os parceiros estratégicos para melhorar a intervenção num dos principais determinantes do cancro, visto que o País tem actuado nas cirurgias oncológicas cada vez mais complexas.

“Que a nível regional e nacional sejam desenvolvidos e implementados programas de formação adequados sobre o cancro, incluindo cursos/formações de curto, médio e longo prazo para identificar e catalogar os que já existem” acrescentou, salientando que o continente africano precisa desenvolver capacidade de resposta nas áreas de tecnologia de saúde, incluindo medicamentos e vacinas.

Para a representante dos PALOP na AORTIC, Hirondina Borges, a organização africana está empenhada em apoiar, facilitar acções de reconhecida eficácia e programas inovadores com vista ao ensino, prevenção e controlo do cancro em África.

O vice-presidente da Organização Africana para a Pesquisa e Treinamento do Cancro (AORTIC), Olusegen Isacc Alatise, ao usar da palavra fez uma breve referência sobre a organização que foi fundada em Setembro de 1982 em Lomé (Togo) e reactivada no ano 2000.

“A AORTIC conseguiu colocar o cancro na agenda de saúde pública em muitos países africanos, destacando a necessidade urgente da África do controlo do cancro e realizando reuniões a cada dois anos em várias cidades africanas”, disse afirmando que o mundo ao reconhecer os desafios enfrentados pela África nesta matéria se juntaram à missão da AORTIC.

Neste domínio, frisou, a África necessita de pesquisas relacionadas a cancros de relevância, apoiar programas de treinamento em oncologia para profissionais de saúde e pesquisadores, lidar com os desafios de criar programas de controle e aumentar a conscientização pública sobre o cancro no continente.

Estima-se que até 2030, haverá 1,3 milhões de novos casos de cancro em África, e que a mortalidade em relação à taxa de incidência de pessoas diagnosticadas com cancro varia entre 75 e 90 %, muito mais elevada do que a documentada na Europa, onde a mortalidade varia entre 30 e 50%.

PC/HF

Inforpress/Fim

 

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