PR defende criação de mecanismos para prevenir e acompanhar situações de chegadas de migrantes em pirogas

Cidade da Praia, 16 Jan (Inforpress) – O Presidente da República (PR), José Maria Neves, defendeu hoje a necessidade de se criar mecanismos para prevenir e acompanhar a chegada de migrantes às ilhas de Cabo Verde, como a que ocorreu neste final-de-semana na Boa Vista.

“Acabo de falar com o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista sobre a chegada de uma piroga, vindo da Costa Ocidental Africana com cerca de 90 pessoas, duas pessoas mortas que já foram enterradas e é preciso a mobilização da sociedade civil e todas as autoridades locais no sentido de prestar assistência a essas pessoas”, começou por dizer o Chefe de Estado num directo na sua página oficial no Facebook.

José Maria Neves disse que, na verdade, o presidente da Câmara Municipal da Boa Vista já está a liderar esse processo, mas defendeu ser “fundamental” também o apoio do Governo no sentido de acudir essas pessoas que chegaram e que é ainda “mais importante” a criação de condições para se prevenir futuras chegadas.

“Em Setembro do ano passado também tinha dado à costa uma piroga com oito pessoas, que já regressaram aos seus países, e agora chegam já em Janeiro mais 90 pessoas, o que é um indício de que poderão estar a chegar mais pirogas ou poderão estar a acontecer acidentes aqui perto de Cabo Verde”, elucidou.

Por tudo isso o mais alto Magistrado da Nação considerou ser “importante” a criação de formas de prevenir e de acompanhar situações dessa natureza.

“A minha solidariedade ao presidente da câmara da Boa Vista, a minha amizade, estou a acompanhar atentamente esta situação e é preciso que todos estejamos cientes a estas migrações e ao tráfico de pessoas e podermos estar em condições de dar todo o apoio e assistência a essas pessoas que chegam ao nosso país”, concluiu.

Uma piroga com 90 pessoas foi resgatada no último sábado nas costas da Boa Vista, a ilha mais oriental de Cabo Verde, foram também encontrados dois cadáveres na embarcação que saiu da Gâmbia.

O alerta foi dado por um faroleiro do Farol do Morro Negro que se encontrava de serviço e que informou as autoridades sobre uma piroga com migrantes.

Até este domingo, 15, as autoridades tinham identificado muitos dos migrantes e, segundo o comandante da Polícia Nacional (PN), entre eles há cidadãos da Serra Leoa, Senegal e Guiné-Bissau e entre o grupo, há três mulheres e dois adolescentes.

No grupo, seis pessoas que requerem maiores cuidados devido ao estado de desidratação foram levadas para o centro de saúde onde se encontram internados.

Sobre os procedimentos médicos a ter com os mesmos, o responsável informou que, tanto os que ficaram instalados no Pavilhão Seixal como no centro de saúde, terão um seguimento diário, uma triagem médica, e tratarão de outra patologia de base que apresentarem.

Esta não é a primeira vez que embarcações africanas dão à costa em Cabo Verde, sendo o anterior em Setembro de 2022, quando uma piroga deu à costa na ilha da Boa Vista, com oito migrantes africanos, com indicação de que mais 13 integrantes do grupo não sobreviveram durante a viagem.

Também em Julho de 2021 outra embarcação deu à costa com apenas um cadáver a bordo, ao largo da ilha de Santo Antão.

A 16 de Novembro de 2020, uma embarcação deu à costa da ilha do Sal com 68 migrantes clandestinos a bordo, e informações em vários órgãos de comunicação social deram conta de cerca de 150 pessoas que teriam saído do Senegal.

Quatro dias depois, foram avistados seis corpos no mar da mesma ilha, suspeitando-se que faziam parte da embarcação.

Também em Janeiro de 2019 quatro cadáveres foram encontrados na embarcação “2018/SERIGME FALLOU MBACKE – 37672”, nos arredores do Tarrafal de Santiago, sobre este caso, a Polícia Judiciária admitiu em comunicado que seriam integrantes de um grupo de pescadores senegaleses, que teria saído da cidade de San Louis, no norte do Senegal, em Dezembro de 2018, para pescar na zona da Mauritânia.

GSF/ZS

Inforpress/Fim

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