Portugal: Pugilista internacional cabo-verdiano David Pina quer superar os seus resultados em África e Europa (c/áudio)

Lisboa, 21 Set (Inforpress) – O pugilista internacional cabo-verdiano David Pina, medalha de bronze no Campeonato Africano de Boxe, categoria de -54 quilogramas, quer focar-se e superar os seus resultados, primeiro em África e depois na Europa.

Em declarações à Inforpress em Lisboa, um dia depois de regressar de Moçambique, onde decorreu o Campeonato Africano de Boxe, David Pina avalia de forma positiva a participação de Cabo Verde, por ter estado numa competição com 35 países diferentes e “muitos melhores” que o arquipélago, mas conseguiram medalhas [bronze para David Pina e prata para Nancy Moreira].

Por exemplo, na sua categoria eram 11 atletas, segundo ele, e ter ficado na terceira posição, foi “muito bom”, explicando que tudo faz parte de um processo, porque ao longo de 10 anos tem ganhado e perdido, considerando que agora está num “nível máximo”, faltando “detalhes” para alcançar melhores resultados.

“O meu desafio é sempre superar os meus resultados a nível de África e também na Europa, porque já lutei com campeão de Europa, ele ganhou, lutei com campeão de África, ele também ganhou. O meu nível está alto, mas tenho que superar ainda mais para sair do segundo ou terceiro lugar”, frisou, indicando que treina duas vezes por dia de segunda a sexta-feira para poder alcançar os seus objectivos.

O atleta Olímpico de Boxe Tokyo 2020 e campeão de África zona II 2019 sustentou que o seu “maior projecto” no momento é qualificar-se para os Jogos Olímpicos de Paris em 2024, garantindo que em 2023 que vai ser um ano de qualificação, a partir de Janeiro, a dedicação irá ser “100%”, acreditando que no próximo ano não irá ter problemas financeiros, por causa da bolsa olímpica.

A residir em Portugal há um ano, David Pina faz parte da equipa Privilégio Boxing Club, de Odivelas, que actualmente é a melhor equipa de Portugal em boxe, sendo Campeão de Taça de Portugal, vencedor do Campeonato Nacional, para além de sair sempre para torneios internacionais.

A próxima competição em que a sua equipa vai participar é na Irlanda, já na quinta-feira, 22, mas David Pina não vai competir porque não há atletas para a sua categoria.

Segundo o pugilista natural de Santa Cruz, ao longo do ano a sua equipa participa em mais de dez torneios internacionais, mas da parte de Cabo Verde pede “mais justiça” para com as modalidades individuais.

Isto porque, assinalou,  é “complicado” ver os colegas que residem no arquipélago e que podiam estar na competição em Moçambique e com condições para conseguirem medalha terem ficado “para trás, por causa de falta de verba”.

“Situação no nosso País é complicado, porque estivemos em Moçambique onde havia países que tinham 35 membros na equipa, com médico, treinador, massagista e até pessoas para tirar foto, enquanto que nós de Cabo Verde, porque disseram que não temos dinheiro, fomos só dois, sendo que o treinador é marido da atleta Nancy, que pagou todas as despesas para ir dar-nos apoio e não ficarmos desamparado”, contou.

Segundo o pugilista bolseiro olímpico é preciso “repensar o investimento no deporto” em Cabo Verde, sublinhando que normalmente o desporto individual “sempre traz medalhas”, tendo alertado para o facto de todos “quererem resultados, mas sem investimentos”.

Por exemplo, indicou, nesta última participação no campeonato em Moçambique não receberam “uma mensagem de algum membro de desporto de Cabo Verde a encorajar”.

No Campeonato Africano de Boxe, que decorreu de 11 a 18 de Setembro, depois de acumular duas vitórias seguidas (como o zambiano Kelvin Hachilala e o moçambicano Iva Nhaguiombe), David Pina perdeu o seu último combate que dava acesso à final com o atleta sul-africano Tiisetso Matikinca, arrecadando a medalha de bronze.

Por sua vez, a atleta Nancy Moreira, quinto lugar no Mundial de Boxe Feminino, em Istambul, campeã de África Zona 2 e Bronze no África Games 2019, após o sorteio e, por atraso de alguns países, conseguiu a medalha de prata, depois de disputar e perder a final da categoria de 63-66 quilogramas com a argelina Ichrak Chaib, atleta medalha de bronze nos mundiais da Turquia.

Cabo Verde participou no Campeonato de África das Nações de Boxe, com apenas dois atletas, numa competição que contou com cerca de 400 atletas em representação de 35 países.

Para os jovens cabo-verdianos aspirantes do boxe, David Pina deixa uma mensagem de “não desistirem nunca”, porque apesar das dificuldades e as barreiras serem muitas, “tudo é um processo e nada é fácil”.

DR/AA

Inforpress/Fim

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