Pascoal di Nha Bebe lamenta desinteresse da juventude na preservação da cimboa

Cidade da Praia, 04 Jan (Inforpress) – O músico Domingos da Ressurreição Fernandes, conhecido por Pascoal di Nha Bebe, lamentou hoje o desinteresse da juventude na preservação da cimboa.

Pascoal di Nha Bebe, que é considerado uma referência no fabrico e execução da cimboa, disse à Inforpress que está determinado na preservação da memória da cimboa, um instrumento tipicamente cabo-verdiano que, em tempos outros, era tradicionalmente utilizado para acompanhar as danças do batuque.

Discípulo de Mano Mendes, músico de Ribeirão Chiqueiro de São Domingos, que deixou a sua marca como executante e fabricante deste instrumento ancestral, Pascoal de Nha Bebé considerou que, por ser “um instrumento pequeno, de fraca sonoridade e de baixa visibilidade quando comparado com o violão, tem-se notado o fraco envolvimento dos jovens, ainda mais por não ser usado por grandes celebridades”.

Mesmo assim, garantiu que vai continuar a dar a sua quota parte, enquanto músico, para o relançamento deste instrumento musical.

Pascoal di Nha Bebe revelou à Inforpress que, doravante, confecciona a cimboa incorporado com um adaptador de som, o que permite acompanhar qualquer actuação de gaitas, ferro e tchabeta, razão pela qual realçou que os jovens têm, a partir de agora, uma grande oportunidade de abraçarem este instrumento.

Militar na reforma, este que é tido como um músico conceituado e exímio tocador de violão, insiste na recuperação deste instrumento junto da juventude, tendo, inclusive, ministrado uma formação a cerca de 20 jovens em São Domingos, no âmbito de um atelier denominado “Projecto Cimboa”, com o propósito de os integrar na confecção e prática deste instrumento ancestral, tradicional da ilha de Santiago, que esteve em vias de extinção.

Sobre a realização do I festival nacional de batuco, realizado semana passada no coração da Cidade de Assomada, em Santa Catarina de Santiago, que envolveu cerca de 50 grupos de batuco no “maior terrero de batuco do mundo”, no qual houve espaço para a cimboa, Pascoal mostrou-se radiante pela iniciativa, por entender ser uma forma ideal de se elevar a mais ancestral da cultura cabo-verdiana.

“Eu não me conformo nunca quando se fala em festival de música cabo-verdiana, mas no palco ouvem-se músicas que nada têm a ver com a nossa identidade”, observou, ao mesmo tempo que manifestou a sua alegria pelo facto de a cimboa ter sido levado em conta com uma “pequena participação neste certame musical, no terreiro de batuco.

“É uma grande oportunidade de mostrar a todos que a cimboa está a ser trabalhada para retomar o seu lugar na música cabo-verdiana. Cimboa foi criado juntamente com o batuco, acompanhou o batuco até um determinado momento, mas por questões outras, este instrumento esteve afastado, mas estamos focados em fazer com que a juventude conheça este instrumento musical e cultivá-lo”.

Considerada uma marca de referência de Santiago, a cimboa foi outrora praticada nos concelhos de São Domingos, Santa Cruz e Tarrafal, municípios seleccionados para receberem formações promovidas pelo Instituto do Património Cultural, visando a salvaguarda deste instrumento musical ancestral, seriamente ameaçado de extinção.

Eugénio Mendes, no Tarrafal de Santiago, e Roque Sanches, em Renque Purga, em Santa Cruz, são outras figuras que inscreveram os seus nomes como grandes tocadores da cimboa.

SR/HF

Inforpress/Fim

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