Música: Fidjus de Codé de Dona continuam a honrar em diversos palcos o nome do pai considerado rei do funaná

Cidade da Praia, 05 Jan (Inforpress) – Dez anos após a morte do exímio tocador de gaita Codé di Dona, os seus filhos continuam a manter viva a tradição do rei de funaná, levando este género musical, ao som de gaita e ferro, aos vários palcos do país e da diáspora.

Fidjus de Code de Dona, constituído por David Vaz e Letício Vaz “Da e Tixu”, actuaram na noite de sábado, 04, no espaço Intro House, nos Açores (Portugal), onde prestaram uma homenagem ao pai, cantando as suas canções.

Em conversa hoje com à Inforpress, via Messenger, no dia em completam 10 anos da morte do rei do funaná, Letício Vaz disse que em todos os shows vão sempre tocar, não só as suas músicas, como também as do Patriarca.

A ideia, explicou, é manter viva a herança do pai, fazer com que as pessoas mais antigas continuem a ouvir o funaná de Code di Dona e ainda dar a conhecer à nova geração esse ritmo tocado ao som da gaita e do ferro.

Esses dois jovens, que sempre acompanhavam o pai nos seus espectáculos, tiveram a oportunidade de mostrar, durante os intervalos de actuação de Codé di Dona, aquilo que desde menino aprenderam em casa com este tocador.

Contudo, foi após a morte de Codé di Dona, que Letício Vaz e David Vaz, os dois filhos mais novos, começaram a levar mais a sério a carreira de músicos.

Instado a comentar o que diferencia o funaná de Codé di Dona e o funaná que actualmente tocam, Letício Vaz disse que o seu pai tocava músicas de convivência e música “terra a terra”, enquanto eles fazem uma mistura do tradicional com o moderno, originando o “contxi pó”.

“Criamos o nosso estilo, fazendo uma mistura com batimentos de outros países, mas também tocamos todas as músicas que o nosso pai lançou no seu ritmo. Pode até ser que ele não tenha partilhado todos os ingredientes, mas sempre fazemos de tudo para seguir os seus passos”, afirmou.

Este jovem reconheceu que são bem aceites em todos os locais que actuam, graças ao nome de Codé di Dona, por isso garantiu que vão continuar a levar essa herança para o mundo.

No sentido de perpetuar a memória do pai, informou que pretendem lançar, antes do mês de Julho, o primeiro álbum de Fidjus de Code de Dona, cujo nome ainda está em análise, mas que irá contar com a participação de Lejemea, Will Semedo, Chando Graciosa, entre outros.

“Neste disco, temos músicas nossas, ao ritmo de contxi pó, mas temos funaná tradicional e temos três ou quatro músicas do nosso pai. Fizemos um mix nas músicas `Sta bai somada´ e `Praia Maria`, para que as pessoas continuem a lembrar as suas músicas”, revelou.

Falando da agenda para este ano, avançou que depois do festival de Nho Santo Amaro, no concelho do Tarrafal, iniciam uma tournée, em Fevereiro, a Portugal, França, Suíça, Luxemburgo e Espanha.

Ainda em negociação estão alguns espectáculos para os Estados Unidos da América, Holanda e Bélgica.

À semelhança dos anos anteriores, informou que na primeira semana de Agosto vão realizar, pela oitava vez, um espectáculo em homenagem ao Codé di Dona, na localidade de São Francisco, no município de São Domingos.

Para esta edição, os filhos esperam contar com o apoio e o engajamento do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.
Fidjus de Code de Dona tem disponível no mercado três singles, nomeadamente “Nha Cumpadre”, “Nha Cumadre” e “Família”.
Gregório Vaz, nome próprio, artística e popularmente conhecido Codé di Dona, era natural de São Domingos, na ilha de Santiago, onde nasceu em 1928, mas residiu muitos anos na localidade de São Francisco.

Morreu aos 69 anos, no dia 5 de Janeiro de 2010, no Hospital Agostinho Neto, na Cidade da Praia, vítima de doença prolongada.
Compositor e tocador de gaita, Codé di Dona é autor de sucessos como “Febre funaná”, “Fomi 47”, “Praia Maria” e “Pomba”.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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