Maio: Primeiro produtor de carvão na ilha defende nacionalização da marca e maior aposta na qualidade do produto

Porto Inglês, 16 Jan (Inforpress) – José Carlos Mendes, produtor de carvão da ilha do Maio defendeu a necessidade de nacionalização da marca e de os produtores locais apostarem cada vez mais na qualidade do produto, visando conquistar o mercado nacional.

José Carlos Mendes, é natural da ilha do Fogo, mas reside na localidade de Morrinho, na ilha do Maio, há quarenta anos, onde aprendeu a arte de fazer carvão. Em entrevista à Inforpress, conta que é feliz com a profissão que lhe permitiu alcançar muitos objectivos.

“Cheguei à ilha do Maio há quarenta anos e lembro-me que em 1981 fiz parte de um grupo de pessoas que participaram numa acção de formação sobre a produção de carvão, no âmbito de um projecto belga, e nessa época a forma de produzir carvão era diferente porque os fornos eram diferentes, tinha a forma de cilindro” referiu.

Entretanto, prosseguiu, em 1985, devido à necessidade de se aumentar a quantidade de produção de carvão, mudaram de fornos cilindros para fornos rectangulares, uma inovação que trouxe mais garantias aos produtores.

A produção de carvão, elucidou, foi a forma que encontrou para garantir o sustento de sua família, acrescentando que foi graças a esse trabalho que os seus filhos puderam concluir os estudos.

A arte de produzir carvão, conforme explicou, não é difícil, mas o segredo para que o produto final tenha qualidade reside na paciência, respeitar o tempo e saber escolher as lenhas para que o produto final seja de qualidade, o que permitirá aos produtores arrecadar lucro.

Lamentou, entretanto, que o mercado local seja pequeno para a comercialização do produto, tendo os produtores há vários anos apostado na comercialização do carvão na cidade da Praia, através de clientes fixos, que, por sua vez, fazem a distribuição para outras ilhas.

José Carlos Semedo defendeu, neste sentido, a necessidade de nacionalização da marca e de os produtores locais apostarem cada vez mais na qualidade do produto visando conquistar o mercado nacional.

“Sou o primeiro produtor de carvão, tenho certificado. É um meio de sobrevivência de muitas famílias aqui no Maio, mas o que tenho reparado é que agora cada pessoa faz da sua maneira, influenciando na qualidade do carvão, o que não acontecia antigamente. Eu quero continuar a fazer carvão como realmente aprendi”, afirmou, considerando, por outro lado, o verão como o período de época alta para a venda do produto.

Indicou, no entanto, a falta de transportes e questões burocráticas para a licença de corte de árvores para a produção de carvão como os principais constrangimentos que os produtores encontram no dia-a-dia.

Questionado se o aumento dos preços dos combustíveis, transportes e de sacos não tem afectado a produção de carvão, uma vez que o preço do mesmo mantém-se inalterado, disse que sim, lamentando que muitas vezes muitos produtores acabam por vender por um preço muito abaixo do estabelecido.

Aquele produtor defendeu, por outro lado, a necessidade de se fazer a manutenção e limpeza periódica daquele que é o maior perímetro florestal de Cabo Verde e a importância da criação da Associação dos Produtores de Carvão do Maio, para obtenção de objectivos comuns e promoção da união da classe.

CM/ZS

Inforpress/Fim.

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