• Save

Líder da oposição diz que os cabo-verdianos já podem tirar as ilações dos três anos de governação do MpD (c/áudio)

Cidade da Praia, 13 Jul (Inforpress) – A líder da oposição disse hoje que depois de três anos da actual governação do MpD os cabo-verdianos já podem tirar as suas conclusões sobre o que o executivo de Ulisses Correia e Silva pode fazer por este país.

“Os resultados a nível do emprego, da dívida pública, dos transportes, sejam aéreos, sejam marítimos, mas também a nível dos gastos públicos são demonstrativos de como tem sido governado Cabo Verde”, afirmou a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde.

Janira Hopffer Almada fez essas declarações à imprensa à margem da reunião do Conselho Nacional do PAICV, órgão mais importante entre dois congressos, que se encontra reunido na Cidade da Praia.

Segundo ela, a dívida do país está a “aumentar-se sem que se conheça investimentos de peso que sirvam o país e a população”, além de se assistir à “destruição de 15 mil empregos” nesses três anos de governação do Movimento para a Democracia.
“Temos um país que se propala a estar a crescer a cinco por cento, abaixo, digo, do prometido pela actual governação, não consegue gerar empregos para a população cabo-verdiana, lamentou a líder do maior partido da oposição, lembrando que Ulisses Correia e Silva afirmara em outros tempos que um “Governo se avalia pela sua capacidade de criar empregos”.

De acordo com a presidente do PAICV, com as contas trimestrais publicadas recentemente “fica claro que o Governo já aumentou em 20 por cento os gastos públicos, já reduziu em 11 por cento os investimentos públicos”.

O PAICV, prossegue, enquanto maior partido da oposição, tem uma grande responsabilidade de fiscalizar a governação e “tentar impedir que certas coisas continuem a acontecer, porque comprometem grandemente o país e até comprometem o futuro”.

Avançou que o seu partido defende uma “nova agenda económica que, com base em reformas estruturantes, possa capitalizar os investimentos feitos, optimizá-los e coloca-los ao serviço dos interesses da nação”, nomeadamente nos sectores do agro-negócios, turismo, economia azul, tecnologias de informação e comunicação, energias renováveis, cultura e inovação.

Na sua perspectiva, se o actual Governo permanecer muito tempo no poder, os riscos que o país corre “são muito grandes”, pelo que as pessoas têm que pensar no hoje e ter preocupações com o amanhã.

“A insatisfação pelo incumprimento dos compromissos, sobretudo pela falta de capacidade de respostas da actual governação é sentida por todos”, enfatizou.

Instada sobre as eleições autárquicas que se realizam no próximo ano, afirmou que o seu partido está a preparar-se para “responder aos anseios da sociedade em cada município e região e ter visão concreta de desenvolvimento”.

Relativamente ao número de câmaras municipais que o seu partido ambiciona conquistar nas próximas autárquicas, prefere, por ora, “não partilhar” a sua estratégica com a comunicação social.

Já em relação às manifestações de rua que se vem registando, é de opinião que isto demonstra que “algo não está bem”.

“Quando o povo se manifesta e as autoridades tentam ignorar, a situação ainda fica mais complicada. Qualquer manifestação num Estado de Direito Democrático, primeiro, deve ser respeitada e deve-se, sobretudo, analisar as razões destas manifestações”, precisou a líder do PAICV, acrescentando que “ninguém sai às ruas para se manifestar sem razões para tal”.

Para a líder da oposição, neste momento, assiste-se ao “aumento dos gastos públicos”, pelo que não se pode pedir aos cabo-verdianos para entenderem que o país está a passar pelo segundo ano consecutivo de seca, “quando o Governo não está disponível para fazer nenhum sacrifício por causas dessas dificuldades.

“Não é normal que se gastem mais 600 mil contos em deslocações, estadias e viagens num país que está a atravessar o segundo ano de seca. Não é normal o Governo fazer a mudança de toda a frota automóvel quando o país está com as dificuldades ”, concluiu, dizendo que o Governo não deve actuar como se Cabo Verde fosse um país rico.

LC/JMV
Inforpress/Fim