Ilha do Sal registou oito casos de suicídio nos últimos três anos – delegado de Saúde (c/áudio)

Espargos, 30 Set (Inforpress) – O delegado de Saúde na ilha do Sal, José Rui Moreira, informou numa entrevista à Inforpress, que a ilha registou oito casos de suicídio, nos últimos três anos, sem contar as ocorrências “camufladas” como acidentes.

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, é oficialmente assinalado a 10 de Setembro, mas a Inforpress quis saber a situação do Sal nesta matéria, tendo o delegado afirmado que esses oito casos foram “claramente” suicídios, já que situações de afogamento, envenenamento, entre outros episódios, muitas vezes, são camuflados como acidentes e não como suicídio.

Segundo José Rui Moreira, as causas do suicídio podem ser variadas, já que “o comportamento suicida é um fenómeno complexo e é afectado por vários factores inter-relacionados.

“Não há uma causa específica que poderá levar um indivíduo a pôr termo à vida, a suicidar-se. Há várias causas. É multi-factorial, desde causas psicológicas, doenças mentais – que é a responsável pela grande parte dos casos de suicídio -, sociais, pessoais (…)”, apontou.

Exemplifica que, também, outros acontecimentos “dilacerantes”, como doenças na fase terminal, perda de liberdade, autonomia estrutural ou funcional no idoso, depressão, esquizofrenia, divórcio, perda de emprego, entre outros factores, poderão obrigar um indivíduo, “impulsivamente”, a cometer o suicídio.

“Portanto, perdas, todas as perdas podem ser um gatilho para fazer alguém cometer suicídio. Para além das doenças crónicas, também ‘bullying’, pobreza extrema, problemas económicos, alcoolismo… Temos que ter tudo isso em conta se queremos prevenir o suicídio na sociedade”, referiu, acautelando que deve-se ensinar a criança a gerir situações de frustração, desde tenra idade.

“Devemos trabalhar em várias frentes para evitar factores stressantes, no sentido de diminuir a vulnerabilidade das pessoas”, sublinhou.

Segundo o delegado, a idade dos sujeitos que se suicidaram, no Sal, varia de 20 a 60 anos, casos relacionados com álcool, prisão, câncer, esquizofrenia, inclusive.

Todavia, diz que as estatísticas indicam que a morte voluntária é a segunda maior causa de óbito entre jovens de 15 a 29 anos, independentemente de países.

“Mas há que ter muita atenção porque hoje em dia, é muito comum o suicídio na faixa etária dos 10 a 36 anos”, observou, explicando que suicídio é um estágio de sofrimento crónico ou agudo, avassalador, em que o indivíduo entende que deve terminar com aquela situação.

“Na minha experiência como delegado de Saúde presenciei dois casos de suicídio cujas pessoas tentaram meter a mão na corda para desprende-la do pescoço, em sinal claro de arrependimento. Mas o peso do corpo não lhe permite afrouxar a corda com a força apenas de um braço”, conta.

Referindo que os motivos que levam alguém a se matar podem variar de acordo com a fase da vida da pessoa, apontou que o ‘bullying’, por exemplo, é considerado um dos principais motivos de suicídio na fase infanto-juvenil.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que mais de 800 mil pessoas se suicidam, anualmente, ao redor do mundo, que a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do mundo.

SC/CP

Inforpress/Fim

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