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História de vida de Amílcar Cabral vai ser retratada em documentário do realizador espanhol Miguel Eek

Cidade da Praia, 19 Julho (Inforpress) – A história de vida de um dos maiores símbolos da resistência ao colonialismo em África Amílcar Cabral, vai ser retratada num documentário “Amilcar — The African Utopias Maker”, do realizador espanhol Miguel Eek, com estreia está prevista para 2020.

Em declarações à Rádio Africa, uma estação radiofónica espanhola, o realizador do projecto explicou que o documentário “Amílcar — The African Utopias Maker” (Amílcar — O realizador de Utopias Africanas) está a ser trabalhado há cerca de seis anos e que devido a constrangimentos a nível financeiro ainda não foi possível concluí-lo.

Conforme explicou, descobriu o trajecto de Amílcar Cabral durante uma viagem que fez a Cabo Verde, em 2013, tendo ficado fascinado com a determinação do líder africano e com a sua dedicação à luta pela independência dos territórios guineense e cabo-verdiano.

“É um documentário histórico que conta com um número elevado de conteúdos cinematográficos e arquivos que foram filmados pelos próprios guineenses e que retrata a parte humana de Amílcar Cabral e a sua determinação pela libertação de Cabo Verde”, afirmou, considerando que Amílcar Cabral foi uma pessoa avançada no seu tempo e que foi reconhecido internacionalmente como um grande líder político e militar.

Dividido em três partes, o documentário, de acordo com este responsável, será composto por arquivos, imagens trabalhadas em diferentes países e relatos de protagonistas e testemunhos sobre quem foi Amílcar Cabral.

“A grande parte do documentário que contem entrevistas de familiares, amigos e companheiros de Cabral já está pronta só nos falta a parte da narrativa dos episódios mais importantes de sua vida” realçou.

Contou ainda que se tentou neste documentário, diferenciando de outros trabalhos cinematográficos sobre o pai da nacionalidade cabo-verdiana e guineense, não centralizar somente nas informações ou divulgação sobre sua a vida, mas sim trazer elementos mais narrativos de um período que ficou marcado por traições, espionagem, ideais políticos, luta colonial, utopia e entre outros.

Miguel Eek avançou que a longa metragem sobre Amílcar Cabral terá uma duração de uma hora e meia e que caso a mobilização de financiamento para a sua conclusão estiver confirmada a sua estreia está prevista para 2020.

Amílcar Cabral nasceu a 12 de Setembro de 1924 em Bafatá, Guiné-Bissau, filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora. Cabral foi poeta, agrónomo, e “pai” da independência conjunta de Cabo Verde a 5 Julho de 1975 e Guiné-Bissau oficialmente a 10 Setembro de 1974.

Cabral partiu para Cabo Verde com apenas oito anos, acompanhando a sua família. Depois de concluir os estudos primários e liceais em Cabo Verde, conseguiu uma bolsa de estudos para ingressar na universidade em Portugal onde estudou Engenharia Agrónoma no Instituto Superior de Agronomia.

Foi dentro da sua “nova” vida universitária que Cabral começou a envolver-se mais com as ideologias oposicionistas e fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em 1956.

A 20 de janeiro de 1973, o fundador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi assassinado na Guiné-Conacri, a oito meses da declaração de forma unilateral, da independência da Guiné-Bissau.

CM/FP

Inforpress/Fim