HAN faz três mil transfusões de sangue por ano, mas taxa de doadores reduziu de 80% para 60% (c/áudio)

Cidade da Praia, 14 Jun (Inforpress) – O director do Banco de Sangue do Hospital Agostinho Neto (HAN) disse hoje à Inforpress que esta unidade faz três mil transfusões sanguíneas por ano, mas as doações voluntárias reduziram de 80 por cento (%) para 60%.

Carlos Neves falava em entrevista à Inforpress no âmbito das celebrações de 14 de Junho, Dia Mundial do Doador de Sangue, que este ano se celebra sob o lema “Sangue Seguro Para Todos” e que tem como foco “a doação de sangue e o acesso universal às transfusões seguras como elemento para alcançar a saúde universal”.

Segundo o médico, o Banco de Sangue do HAN sempre tem necessidade porque todos os dias transfunde e, portanto, necessita de receber. Mas o sotck de sangue que o hospital tem geralmente provém de doadores ou de familiares de pessoas que estão internadas e que precisam de transfusões, ou das colheitas móveis feitas fora do hospital.

Anualmente, de acordo com este responsável, faz-se nessa unidade três mil transfusões sanguíneas, porque se trata de um hospital que atende a população de Santiago Sul, mas também recebe pacientes em estado grave de Santiago Norte e evacuados de outras ilhas, para além dos casos de cirurgias e de anemias crónicas que necessitam de transfusão regularmente.

Para Carlos Neves toda essa demanda exige que o Banco de Sangue tenha no mínimo mil doadores voluntários, mas a realidade é que a taxa de doações voluntárias que em de 2016/17 estava a girar em torno dos 80 por cento %, hoje quedou-se para 60 %.

“É preciso apostar nas doações voluntárias, porque um doador regular traz mais segurança. E uma doação regular ajuda-nos a programar as reservas. Se nós temos doadores regulares sabemos que dentro de três meses esses doadores voltarão a fazer a sua doação”, explicou Carlos Neves sustentando que é difícil fazer a gestão do stock quando não se consegue programar as doações.

Isto porque os doadores regulares que fazem a doação três ou quatro vezes por ano são extremamente poucos. Também há outros que fazem doações apenas uma ou duas vezes. Mas esclarece que apesar de serem poucos já fazem a diferença e geralmente consegue-se fazer “uma reserva aceitável” para satisfazer as necessidades básicas e as situações de urgências que podem surgir.

“Os cabo-verdianos têm sido sempre solidários quando são chamados, mas falta a cultura de doar. Falta uma política de maior incentivação na comunicação social para esclarecer as pessoas de que devem doar sangue, porque há sempre falta e que a doação voluntária é mais segura e não faz mal a ninguém”, defendeu o director do Banco de Sangue do HAN para quem o sangue deve estar no hospital para servir a tempo porque, “se não estiver pode ser tarde”.

O slogan deste ano, “Sangue seguro para todos”, busca sensibilizar sobre a necessidade universal de sangue seguro na prestação de atenção à saúde e a função essencial das doações voluntárias para a alcançar a meta de saúde universal.

A campanha tem como objectivo engajar mais pessoas em todo o mundo a tornarem-se doadoras regulares, o que constitui a pedra angular para criar uma base sólida e estabelecer um suprimento de sangue sustentável a nível nacional, que permita atender às necessidades de transfusão de todas e todos.

O país anfitrião para o Dia Mundial do Doador de Sangue de 2019 é o Ruanda. O evento global será realizado em Kigali, no dia 14 de Junho.

A data foi criada por iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2004, e o dia escolhido é uma homenagem ao nascimento de Karl Landsteiner (14 de Junho de 1868 – 26 de junho de 1943), um imunologista austríaco que foi precursor da transfusão sanguínea, descobriu o factor Rh e várias diferenças entre os diversos tipos sanguíneos.

Por esta razão, foi premiado com o Nobel da Medicina em 1930.

CD/FP

Inforpress/Fim

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