Grupo de batuque Finka Pé comemora hoje 30 anos com show beneficente (c/áudio)

Cidade da Praia, 19 Jul (Inforpress) – O grupo de batuque Finka Pé, da Cova da Moura, Portugal, assinala hoje os 30 anos de carreira com um show beneficente e lançamento de livro, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Cidade da Praia.

Em declarações à Inforpress, um dos responsáveis do grupo, Sandra Tavares, disse que não faz sentido comemorar esta data noutro lugar, por isso escolheram Cabo Verde para assinalar a efeméride.

“Cabo Verde é o nosso berço, não fazia sentido comemoramos noutro lugar, podíamos fazer uma festa enorme e grande em Portugal, mas não iria fazer sentido. Decidimos vir para Cabo Verde partilhar as nossas experiências, mas também levar uma bagagem enriquecedora”, afirmou.

Para este show, disse escolheram apoiar a “Fazenda da Esperança”, em São Martinho, porque através do batuque querem dar uma mão amiga para este centro que tem como missão o acolhimento e recuperação de pessoas dependentes de álcool e droga.

O grupo vai ainda dar a conhecer ao público cabo-verdiano a história do grupo, através do livro “Finka Pé: o feitiço do Batuque” resultado do colóquio realizado em 2015 e que contou com a participação de 190 batucadeiras de todo o mundo.

Segundo disse, o grupo, criado em 1988 pela Domingas Brito, no Bairro Alto da Cova da Moura, concelho da Amadora, Portugal, no âmbito das actividades desenvolvidas pela Associação Moinho da Juventude, tem como missão valorizar a cultura cabo-verdiana além-fronteiras.

“O que nós temos tentado fazer é, além de mostrar e divulgar o melhor que nós temos da nossa cultura que é o batuque, passar essa cultura de geração a geração. A minha mãe faz parte do grupo e eu já sou a segunda geração e estou a passar para a minha filha”, disse, ajuntando que pretendem cativar os jovens e as crianças para dar continuidade ao que elas tentaram fazer durante os 30 anos.

Informou que ao contrário de alguns outros grupos lá fora, o Finka Pé mantém um batuque tradicional, isto é, terra-terra, e que durante bastante tempo era constituído somente por mulheres.

Entretanto, recentemente, aceitaram no elenco de 22 mulheres um rapaz que demonstrou ter um grande talento para “txabeta”.

Ao longo desses 30 anos de vida, fez saber que o grupo passou por vários palcos, de norte a sul de Portugal, Bélgica, França, Espanha, entre outros países.

“O que marcou muito é quando recepcionamos a rainha da Bélgica em Portugal. Ela esteve no nosso bairro, realizamos palestra e convívios. Somos muito bem tratadas em Portugal e somos reconhecidas como artistas. Já tocamos com Cesária Évora, na Expo 98, para Marcelo Rebelo de Sousa e várias outras entidades”, revelou.

Para a mesma fonte, o batuque ao longo dos anos conquistou um espaço a nível internacional, e, por isso, as batucadeiras de Finka Pé tem sentido um “grande orgulho” em transmitir algo genuíno de Cabo Verde além-fronteiras.

Nas suas composições, disse, retratam um pouco de tudo, excepto da vida política, desde trabalho, amor, tristezas, violência doméstica.

Sandra Tavares enalteceu todo o contributo recebido no país, entretanto criticou o facto de terem tido pouco apoio por parte das autoridades cabo-verdianas em Portugal e em Cabo Verde para a materialização dessa comemoração.

Neste sentido, aproveitou para apelar ao Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas que dê mais atenção a essa manifestação cultural, em vez de centrar-se somente na promoção da morna.

“Todos os grupos merecem ter o mesmo tipo de apoio, não podem pegar num grupo e elevar esse grupo. Se são Ministério da Cultura têm que apoiar a cultura porque o trabalho que temos feito tem sido reconhecido como excelente em Portugal e nos países da Europa, portanto, não sentir o apoio do nosso próprio país é muito triste”, lamentou.

Finka Pé tem disponível no mercado um DVD “Recordando a Expo‘98”, incluindo a actuação do grupo Finka Pé com a Cesária Évora, Marisa Monte e Dulce Pontes na Praça Sony, editado este ano pelo realizador Rui Simões.

Ainda contam com um DVD intitulado documentário “Finka Pé. Contos de mulheres que dançam pela liberdade”, filme de Raquel Castro e Domingos Morais e um livro “O feitiço do Batuque”, que proporciona a descoberta das batucadeiras e da história do grupo “Finka Pé”, para além de ser um relato do colóquio organizado em Abril de 2016 no Museu de Etnologia no Restelo.

AM/CP
Inforpress/Fim

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