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Governo propõe dotar Santo Antão de um aterro melhorado antes de se avançar para aterro sanitário – ministro 

Porto Novo, 19 Jul (Inforpress) – O Governo, numa parceria com as câmaras de Santo Antão, espera dotar a ilha de um “aterro melhorado” antes de se evoluir para um aterro sanitário, no quadro do plano operacional de gestão dos resíduos para esta região.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, informou que, para Santo Antão, o Governo, antes de um aterro sanitário, propõe definir o plano operacional de gestão dos resíduos para esta ilha, socializado, esta sexta-feira, num ateliê, no Porto Novo, e dotar os municípios de um aterro melhorado, que será uma estrutura vedada, com vigilância, maquinarias, e espaços de separação do lixo.

“Tudo isso” deve ser feito antes de avançar para o aterro sanitário, que deverá custar, “no mínimo”, cinco milhões de dólares (cerca de 490 mil contos), explicou o ministro, para quem “antes de se chegar lá”, pode-se realizar “outras coisas”, manifestando, por isso, “toda a disponibilidade” para “colaborar” com as câmaras municipais “nesse sentido”.

Gilberto Silva, que esteve, nos últimos dois dias, de visita a Santo Antão, integrando uma delegação governamental, chefiada pelo primeiro-ministro, admitiu que a ideia é que as lixeiras existentes em Santo Antão “evoluam”, no quadro do plano operacional de gestão dos resíduos, para aterro melhorado, e só depois avançar para o aterro sanitário.

No âmbito da cooperação portuguesa, o Governo de Cabo Verde conseguiu elaborar o plano operacional de gestão dos resíduos em Sano Antão, para o horizonte 2035, estimado em 18 mil contos, que, depois de socializado, vai ser, agora, submetido à aprovação das assembleias municipais.

Trata-se, segundo o presidente da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), Miguel Moura, um instrumento que vai orientar os municípios de Santo Antão sobre a questão dos resíduos a curto, médio e longo prazos, com enfoque na caracterização, tratamento e valorização deste recurso.

“Esperamos que, com este plano, Santo Antão, seja um exemplo nesta nova alargada na gestão dos resíduos, que deixam de ser lixo, para se transformar num recurso e numa oportunidade de negócio”, explicou Miguel de Moura, que falava na abertura do ateliê.

Para os municípios de Santo Antão, ilha onde se produz, anualmente, quase quatro mil toneladas de lixo, a gestão dos resíduos é “uma matéria muito actual “, segundo o edil do Porto Novo, que informou que as autarquias já estão a discutir com o Governo essa problemática, que deverá passar por “uma gestão única” dos resíduos, através do aterro melhorado.

A grande preocupação dos autarcas e dos santantonenses, em geral, prende-se, actualmente, com a situação da lixeira intermunicipal, nas proximidades da Ribeira Brava, na fronteira entre Porto Novo e Paul, que, segundo os ambientalistas, constitui “um atentado ambiental”.

Esta lixeira, utilizada pelas câmaras do Paul e da Ribeira Grande, é, também, para as autoridades sanitárias da ilha, “um problema de saúde pública” em Santo Antão.

A socialização do plano operacional de gestão dos resíduos para Santo Antão acontece numa altura em que a ilha está em vias de receber investimentos, à volta de um milhão de contos, no saneamento, conforme anunciou o primeiro-ministro, Ulisses Correia Silva, nesta visita a Santo Antão.

O projecto de saneamento para Santo Antão, que barca ainda a vertente abastecimento de água, com financiamento do Banco Árabe para o Desenvolvimento em África (Badea), arranca “brevemente”, avançou Ulisses Correia e Silva.

O grosso dos investimentos acontece no município do Porto Novo, onde se prevê a construção de 20 quilómetros de rede de esgotos e mais de 300 ligações domiciliárias, bem como a montagem de uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), duas estações de bombagem, além de 200 fossas sépticas nas zonas rurais.

No domínio de água, o projecto prevê, ainda para Porto Novo, a construção de 25 quilómetros da rede de adução e distribuição de água, 3.500 ligações domiciliárias e construção/reabilitação de vários reservatórios.

Em Ribeira Grande, o projecto prevê a reabilitação de três reservatórios e três mil ligações domiciliárias, enquanto que no Paul serão feitas, com este projecto, duas mil ligações domiciliárias.

JM/CP

Inforpress/Fim