Fundação  Maio Biodiversidade quer introduzir novas tecnologias na recolha de dados sobre tartarugas marinhas

Porto Inglês, 03 Set (Inforpress) – A Fundação  Maio Biodiversidade (FMB) pretende introduzir, no próximo ano, o recurso a novas tecnologias na recolha de dados sobre as tartarugas marinhas e  ser a primeira ONG a utilizar esta ferramenta, uma forma de simplificar os trabalhos.

Em declarações à Inforpress, o responsável pelos estudos cientifico da fundação, Juan Martinez, assegurou que, todos os anos, a FMB tem vindo a desenvolver programas de cooperação com universidade de Cabo Verde e europeias, os quais têm possibilitado a realização estudos e investigação a diversos níveis.

“Neste momento, os dados estão a ser recolhidos em papel, o que requer muito tempo e com risco de danificação,  por isso queremos, pela primeira vez a nível mundial, desenvolver um software, em colaboração com a Universidade de Aveiro”, concretizou o responsável, que espera que em Dezembro será possível ter um primeiro modelo para testar e que, para o próximo ano, será uma realidade, após os testes.

Conforme avançou, neste momento vários estudos  estão sendo concretizados, mas destacou como um dos exemplos o desenvolvimento de um software em parceria com a Universidade de Aveiro, que vai possibilitar aos técnicos ferramentas para recolherem  dados de forma “rápida e segura e e ser partilhados online, e sem erros” .

Juan Martinez explicou  que a fundação pretende que  este software venha a ser utilizado a partir  de um smartphone ou tablet, de modo a possibilitar aos técnicos a recolha de dados, tanto sobre as  tartarugas, como climatéricos e naturais das praias da ilha.

A FMB, prosseguiu,  em parceria com as universidades parceiras tem vindo  a desenvolver vários  estudos, com vista  a conhecerem melhor a realidade da ilha nos diversos aspectos.

Neste particular, a  fonte identificou como  exemplo estudos relacionados com a existência de bactérias nas tartarugas e a possibilidade de serem  transmitidos  para os humanos, em parceria com a Universidade de Lisboa (Portugal).

“No que se refere às mudanças climatéricas e mudanças globais, também temos vindo a desenvolver um estudo em parceria com a Universidade de Cabo Verde, relacionado com a existência dos micro e macro plásticos nas praias do Maio, em que queremos estudar o nível da contaminação existente nas praias bem como o seu impacto, nas as tartarugas as procuram para se nidificarem “, salientou.

Um outro estudo que a FBM tem vindo a realizar este ano, segundo Juan Martinez, aborda a proporcionalidade entre os sexos, enfatizou, lembrando que  se está a realizar estudos sobre a incubação dos ovos, tendo em conta  a temperatura nos diversos tipos de areias.

“Temos vindo a realizar este estudo há vários anos para sabermos se tem havido um  aumento e se esse aumento pode vir a contribuir para  feminização das crias”,  informou.

Para aquele cientista, caso se venha comprovar este facto, pode vir a ser um problema reprodutivo “grave”, pelo que estão a monitorizar todos este aspectos e recolher “dados fiáveis e concretos” sobre estes casos.

Um outro assunto que tem merecido a atenção da FMB é a dimensão das praias, e, neste particular, Juan Martinez adiantou que a fundação está a concretizar um estudo, em parceria com a Universidade de Las Palmas de Gran  Canárias, para se detectar se tem havido ou não a diminuição da largura  das praias nos últimos 20 anos.

Para tal, concretizou, a equipa vai recorrer a imagens a partir de 1993 até apresente data.

Um outro aspecto que tem merecido a atenção da FMB é  a evolução do consumo histórico da carne das tartarugas marinhas ao longo dos anos, pela que encontra-se em curso um outro estudo, em parceria com a Universidade Exeter, para conhecerem melhor este facto que remonta “há praticamente um século”.

Todos estes dados, segundo o responsável pela parte cientifica, vão ser divulgados a nível nacional e internacional, com destaque para o simpósio internacional que se vai realizar em 2020, na Colômbia, que contará com especialistas de todo mundo, palco em que a FMB pretende divulgar os estudos realizados na ilha durante estes dois últimos anos.

WN/AA

Inforpress/Fim

 

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