Fogo: Livro “Mudjê krióla” de Chumpa apresentado no dia 28 na Casa das Bandeiras

São Filipe, 22 Set (Inforpress) – A primeira obra literária do poeta popular Chumpa, como é mais conhecido Lino Lopes no meio foguense, “Mudjê Krióla” (mulher crioula) é apresentada no dia 28 de Setembro na Casa das Bandeiras em São Filipe.

A obra poética é constituída por umas dezenas de poesias, todas elas escritas em crioulo do Fogo, e ilustrada por cerca de uma vintena de quadros relacionados com a temática mulher, da autoria do artista plástico Mário Barbosa (Zelito.

Segundo o autor, era para ser apresentada no passado mês de Março, mês dedicado à mulher, mas por atraso na gráfica só agora vai ocorrer.

Esta obra, a primeira do poeta popular, no dizer do professor e activista cultura Luís Pires, responsável pela revisão do conteúdo, é uma “grande homenagem” à mulher, que “valoriza” todas as mulheres crioulas, quer as residentes em Cabo Verde como na diáspora, salientando que homenageia “mulher mãe, noiva, amante, namorada, sofredora (…)”

O autor, emigrante nos Estados Unidos da América desde o ano 2000, é um “homem simples” do povo e bebeu na tradição da terra para compor os seus versos, fazendo lembrar as cantadeiras populares da ilha como Ana Procópio e “Tintina Mané di Bedja”, ou mesmo as coladeiras das festas populares nos momentos de maiores inspirações e de improvisação, referiu Luís Pires.

Para Lívio Lopes, autor do prefácio e originário da mesma comunidade onde nasceu Chumpa (Patim), era preciso que “saudades da terra, nostalgia e solidão” de uma vida profissional isolada nos Estados Unidos da América “fazer a cabeça” de Chumpa “fervilhar de paixão crioula e de palavras de reconforto”, longe da ilha do Fogo, o que segundo o mesmo confirma a tese de que a poesia é “metafísica na sua imaterialidade, mas também transcendente na sua criação”, quer estando fisicamente nos Estados Unidos e alma na ilha do Fogo ou vice-versa.

No dizer de Lívio Lopes, a inspiração dos “filhos de um berço comum”, referindo-se à localidade de Patim, zona sul de São Filipe, provém desse “lugar de feitiço e de aparições – desde Santuário de Nossa Senhora do Socorro até o local de milagre de boca Santo, na ribeira de Achada António, hoje em ruínas”, como Patim é referenciado a nível da ilha.

Segundo o mesmo, vale a pena ler com atenção “os lindos versos de poemas” como “Kriola brilhu di nós terra”, “mámá di mê”, “ka bu buli mudjê briola”, “kura lumi ê na djarfogo” e “kretxeu dipoz di Bokarron”, entre outros.

O autor, por seu lado, reconheceu que a vocação e a veia poética reveladas com “uma certa idade” talvez se deva às dificuldades encontradas em Cabo Verde, onde as dificuldades não lhe permitiam demonstrar essa faceta, o que só aconteceu após a emigração, aproveitando o facto de trabalhar sozinho para escrever aquilo que ia na alma.

Segundo o mesmo, tudo terá começado na cidade de Brockton (EUA), por ocasião das festas de Natal, em que, seguindo a tradição, os naturais de Patim passavam pelas residências das muitas famílias da localidade foguense emigradas, para desejar boas festas, e como a música era sempre a mesma resolveu oferecer uma nova ao grupo.

Este disse que a composição foi bem aceite, tendo os seus conterrâneos o apoiado e incentivando  a escrever.

Na sequência iniciou a publicação dos seus versos nas redes sociais abordando diversas temáticas, desde social, política, natureza, homens e mulheres.

Nesta que é a sua primeira obra, Chumpa disse que optou pela temática relacionada com a mulher cabo-verdiana porque acompanhava as noticias da terra e num certo período havia muita notícia sobre violência doméstica, mas também pela sugestão de Luís Pires que fez a revisão dos textos.

O autor avançou ainda que dispõe de muitos poemas e que, provavelmente no próximo ano, deve sair um segundo trabalho, observando que a partir do primeiro livro as coisas ficam “mais facilitadas”.

A apresentação do livro está a cargo do jornalista Alírio Dias de Pina, ele também originário da localidade de Patim, contando com a presença de Luís Pires e possivelmente de Lívio Lopes.

JR/AA

Inforpress/Fim

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