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Fogo: Governo está a trabalhar para transformar Chã das Caldeiras num elemento importante da economia – PM

São Filipe, 14 Jul (Inforpress) – O Governo está a trabalhar para transformar a localidade de Chã das Caldeiras num elemento “importante” da economia da ilha do Fogo e do país, disse sábado o primeiro-ministro (PM), Ulisses Correia e Silva.

O chefe do Governo que presidia à inauguração da estrada Cova Tina/Portela/Bangaeira e a primeira fase do complexo educativo e o lançamento das obras das redes técnica e viária de Chã das Caldeiras, perspectivou que essa transformação vai traduzir em mais turismo, mais produção de videira e melhor qualidade de vinho e de tudo aquilo que se produz em Chã.

“Esta zona estava encravada e depois da última erupção vulcânica chegar a Chã era difícil, e esta estrada veio facilitar muitas coisas, o acesso mais fácil, mais barato, mais rápido e com vantagem para a economia e para a vida das pessoas”, considerou Ulisses Correia e Silva.

Além da estrada com 11 quilómetros de extensão já construída, adiantou, está em curso a construção de mais 16 quilómetros para completar o anel, não só para facilitar a circulação, mas para ter mais protecção na situação de prevenção e ter mais oportunidade de circulação.

Com relação às obras do complexo educativo, Ulisses Correia e Silva disse tratar-se de um “grande trabalho” do instituto universitário M_EIA, através de Leão Lopes, o que demonstra que o Governo fez uma boa escolha, por ser uma instituição reconhecida e que veio integrar e aproveitar aquilo que tem de melhor na comunidade, nomeadamente os materiais, para construir com muitas inovações, a custo baixo e mostrar que é possível com aquilo que a natureza oferece, produzir mais e melhor.

O chefe do Governo anunciou a continuidade das obras da construção do complexo educativo, que começou com jardim e integra o EBI de modo a permitir que as crianças tenham acesso à escola mais próxima e com qualidade, mas também a criação de um centro de formação profissional nas mesmas instalações, e que o centro de saúde vai ser uma realidade, sublinhando que “tudo aquilo que é necessidade para ter o desenvolvimento em Chã das Caldeiras vai acontecer”.

“É preciso continuar com o mesmo compromisso e a mesma vontade de fazer coisas direitas, o planeamento e o ordenamento”, afirmou Ulisses Correia na sua intervenção, observando que a participação da comunidade é “importante” para preservar a segurança e o ambiente, razão porque, as novas construções têm de ser ordenadas e feitas em boas condições, devendo a população colaborar para conseguir fazer Chã uma referência em Cabo Verde e uma referência de transformações.

A ministra das Infra-estruturas, Habitação e Ordenamento do Território (MIHOT), Eunice Silva, disse que desde 2017 que o Governo está a realizar projectos em Chã das Caldeiras, observando que as obras da construção da estrada estão a prosseguir com o segundo troço entre Bangaeira e Campanas de Cima para fechar o anel superior.

Esta disse que as intervenções estão a ser feitas de acordo com o plano detalhado de Chã das Caldeiras, observando que neste momento corre-se o risco de ter “duas Chãs”, sendo uma arrumada e outra solta, apelando à população a se unir para ter uma Chã arrumada, evitando as construções fora da área definida pelo plano detalhado da localidade.

Eunice Silva indicou que o Governo vai dar continuidade às intervenções e que além da estrada, da segunda fase do complexo e da construção do centro de saúde, está prevista a construção de dois jardins públicos, um em Portela e outro em Bangaeira, que são espaços de lazer e de concentração para evacuação rápida em caso de uma eventual erupção vulcânica, utilizando as duas saídas.

Para as 40 famílias de Chã das Caldeiras deslocadas na última erupção vulcânica e que ainda não regressaram à Caldeira e que estão a viver em casas arrendadas, recebendo um apoio do Governo no valor de oito mil escudos mensais, Eunice Silva disse que estão definidos os espaços e que o Governo não vai construir casas para essas famílias, mas ajudá-las a construir as suas próprias habitações.

Segundo a mesma, um dos primeiros trabalhos que a empresa contratada para executar os trabalhos da rede técnica e viária vai fazer é a preparação dos lotes para a construção dessas habitações.

A titular da pasta das Infra-estruturas indicou ainda que o concurso para as obras de requalificação urbana da cidade de Cova Figueira vai ser publicado ainda no decurso de Julho, observando que o processo para a requalificação do centro histórico de São Filipe está mais atrasado e deverá ser publicado em meados de Setembro, embora as obras de requalificação da praça João Paes ou 4 de Setembro vão iniciar ainda este mês.

O presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina do Fogo, Alberto Nunes, destacou o impacto da construção da estrada que, segundo o mesmo vai “mexer com a economia de Santa Catarina e da ilha do Fogo”, sublinhando que se antes da entrada do Parque Natural até Portela o percurso era feito em 45 minutos agora passou a ser feito em apenas 10 minutos.

O troço de estada Cova Tina/Portela/Bangaeira, tem uma extensão de pouco mais de 11 quilómetros (11.260 metros), com uma faixa de rodagem com quatro metros e com possibilidade de alongamento futuro, em calçada tradicional e bermas não revestidas com uma largura de meio metro, travamento da calçada com betão, sendo que dois terços do seu traçado foi implementado sobre as lavas da erupção de 2014 e custou 110 mil contos.

O dimensionamento da estrutura de pavimento foi adequado às solicitações de tráfego a que as vias em projecto poderão vir a estar sujeitas ao longo de um período de vida útil de 20 anos.

JR/ZS

Inforpress/Fim