Fogo: Equipa do Projecto Vitó anilhou cerca de 70 indivíduos de Gongon dos 116 capturados na campanha de monitorização

São Filipe, 27 Fev (Inforpress) – A associação de conservação e uso sustentável dos recursos “Projecto Vitó” anilhou cerca de 70 indivíduos de Gongon (Perodroma feae) de um total de 116 capturados durante este ano na campanha de monitorização e investigação promovida pela sua equipa.

A campanha de monitorização e investigação desta ave marinha endémica de Cabo Verde e a mais ameaçada iniciou-se no passado mês de Dezembro e durante três meses a equipa capturou com redes japonesas 116 indivíduos desta espécie na ilha do Fogo, a maior captura registada em Cabo Verde.

O director executivo do Projecto Vitó, Herculano Dinis, que divulgou hoje, esses dados, na página da associação disse à Inforpress que a campanha de monitorização e investigação se centralizou em duas localidades da ilha, Monte Vaca e Bordeira, sendo que a localidade de Monte Vaca, situada na zona norte da ilha revelou-se uma das áreas mais importante de cortejo de Gongon em Cabo Verde, tendo sido capturado um total de 76 indivíduos só nesta campanha de 2020.

Com relação a ninhos de Gongon, foram identificados um total de 21 novos ninhos e para a equipa de monitorização e investigação este número constitui o maior índice de identificação de ninhos de Gongon em todo o arquipélago.

Com a identificação dos novos ninhos, totalizam-se 70 ninhos de reprodução de Gongon conhecidos apenas na ilha do Fogo, sendo que as localidades de São Jorge e Chã das Caldeiras as que apresentam maior número de ninhos desta ave endémica de Cabo Verde, mas existem ninhos identificados nos Mosteiros (Cutelo Alto), Monte Velha, Monte Vaca e Estancia Roque, mas apenas os de Chã das Caldeiras e Monte Velha estão localizados dentro da área protegida do Parque Natural do Fogo.

A equipa de monitorização e investigação de Gongon, segundo Herculano Dinis, tem estado a colocar aparelhos de GPS nos Gongons adultos com a finalidade de conhecer a sua rota de alimentação no mar, sendo que os aparelhos são colocados nos animais nos ninhos e depois de regressarem do mar são recuperados e os dados da viagem são guardados nos computadores do projecto.

Este ano a equipa procedeu a colocação de 20 aparelhos de GPS dos quais foram recuperados com sucesso até agora um total de oito dos aparelhos.

Além disso o Projecto Vitó tem trabalhado na protecção dos ninhos para não serem destruídos e os adultos capturados e nesta perspectiva foram colocadas 14 câmaras foto-armadilhadas nos ninhos mais acessíveis, mas também com o objectivo de os proteger dos gatos selvagens colocou 12 armadilhas.

Para melhor conhecimento das áreas de cortejo desta espécie endémica e das outras espécies de aves marinhas o Projecto Vito tem utilizado gravadores para captar o som de modo a permitir um conhecimento científico alargado sobre o comportamento de acasalamento, sendo que na ilha do estão disponíveis cinco aparelhos para o efeito.

O trabalho de monitorização e investigação decorre com o apoio técnico e científico da Universidade de Barcelona (Espanha), que é o principal parceiro da Associação Projecto Vitó que dispõe de uma equipa técnica constituída por cinco elementos que diariamente realizam os trabalhos.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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