Fogo: Compositor diz que classe está a ser “melhor valorizada” com pagamento dos direitos autorais

São Filipe, 15 Jan (Inforpress) – O compositor Augusto Mendes Pires admitiu que os compositores começaram a ser “melhor valorizados” pelas autoridades, com o pagamento dos direitos autorais, mas que a sociedade ainda “não está a dignificar e valorizar” os autores.

É assim que Talulu, nome artístico de Augusto Mendes Pires, compositor de perto de três dezenas de composições já gravadas, exprime o seu sentimento em relação aos criadores na data em que se celebra Dia Mundial do Compositor, hoje, 15 de Janeiro.

Em declarações à Inforpress na cidade de São Filipe, Talulu, que vive há vários anos nos Estados Unidos da América, avançou que tem algumas composições já gravadas por ele próprio que é também interprete e com dois trabalhos discográficos, nomeadamente “Braga Maria” e “Djarfogo alin ta bai”, e por outros agrupamentos ou artistas de forma individual, como Bokarrom.

As suas composições estão relacionadas com o estilo tradicional da ilha do Fogo, mas também tem mornas e coladeiras, e no próximo trabalho que pretende gravar, no decorrer do corrente ano, pensa introduzir outros estilos.

Para Talulu, o desafio de um compositor está relacionado com a energia pessoal de fazer algo que vê ou sente, num determinado momento e que deve registar.

Para ele, das autoridades os criadores estão a receber agora “alguma valorização”, com o pagamento de direitos autorais, mas pela sociedade civil, devido ao desenvolvimento das tecnologias, “não há uma valorização merecida” e todos os artistas e compositores devem unir-se e pedir mais apoio e respeito da sociedade, no sentido de evitar a pirataria que “prejudica sobremaneira” aos criadores de arte.

“Se a sociedade adquirir um cd, por exemplo, todos terão mais vontade de trabalhar e de criar, porque Cabo Verde tem muito por explorar, sobretudo a ilha do Fogo, e prova disso é o surgimento de novos talentos com muita qualidade”, disse o compositor.

Manuel dos Santos Alvos, conhecido como Totói di nho Mano, por seu lado, apontou que apesar de ter escrito muitas letras/composições não se considera um compositor “na verdadeira dimensão da palavra”.

“Tenho algumas composições”, disse ao ser abordado pela Inforpress, observando que deu algumas das suas composições a artistas nacionais para alguma melhoria e foram adulteradas e gravadas por estes sem o seu consentimento, como se a letra fosse deles, facto que o deixa revoltado.

De entre várias letras, apontou algumas dedicadas ao Padre Camilo, como “Vulcão di Sodade” e “Djarfogo ilha querida”, mas escreveu outras como “Salinas”, “Hospital do Fogo”, “Mercado di peixe”, de entre várias outras, e que retratam critica sociais, que, segundo o mesmo, são temáticas das suas composições.

Para Totói, o desafio de um compositor é como “um falar interno, consigo mesmo sobre a realidade social do seu meio”, vincando que é uma inspiração espontânea que precisa ser registada para não se perder.

Para ele hoje é mais fácil o compositor registar as composições do que no passado, embora, no seu caso, ter sido aconselhado na altura pelo padre Camilo para o fazer o registo das suas composições, mas deu pouca importância e muitas das suas letras foram modificadas e gravadas por outros, como se fossem criação deles.

Apesar de não assumir comocompositor no verdadeiro sentido do termo, Totói considera que o criador ainda é “pouco valorizado” em relação aos intérpretes, quer pelas autoridades como pela sociedade que dão pouco importância ao compositor, pese embora tenha havido alguma melhoria e acredita que com os direitos de autores, os compositores passarão a ser melhor valorizados.

JR/AA

Inforpress/Fim

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