Fogo: Acarinhar quer fazer da ilha uma referência nacional a nível de inclusão – Teresa Mascarenhas

São Filipe, 03 Dez (Inforpress) – A Associação das Famílias e Amigos das Crianças com Paralisia Cerebral (Acarinhar) quer fazer da ilha do Fogo uma referência nacional a nível de inclusão, defendeu hoje a presidente desta organização, Teresa Mascarenhas.

Ao iniciar uma missão à ilha para em parceria com estruturas de saúde e da educação, proceder à identificação de crianças com paralisia cerebral e outras deficiências na ilha do Fogo, assim como outras actividades, a responsável da Acarinhar disse que a inclusão é possível com o engajamento de todos, nomeadamente das três câmaras municipais, do hospital regional, das delegações da Educação e das delegacias de Saúde.

A missão iniciou-se com uma marcha pelas ruas da cidade e, segundo a responsável, esta deslocação não foi fácil organizar, mas que depois de muito tempo conseguiu trazer uma equipa multidisciplinar constituída por 14 elementos à ilha, nas vésperas do Dia Internacional das Pessoas com Deficiências, observando que a associação não podia deixar esse dia passar indiferente na ilha do Fogo.

Além da marcha, a equipa integrada por terapeutas da fala e ocupacional, fisioterapeuta, psicólogos, enfermeiras e médicos, vai durante uma semana estar com as crianças com deficiência, as famílias e os técnicos nos três municípios da ilha para juntos pensarem o que se pode fazer para o futuro.

“A intenção é fazer um levantamento da situação, vendo e avaliando as crianças em todos os aspectos, a nível da saúde, terapêutica, aprendizagem e social e depois fazer uma recomendação e os projectos para a ilha”, advogou Teresa Mascarenhas, indicando que o projecto é fazer com que as crianças com deficiências tenham melhor qualidade de vida, particularmente as com paralisia cerebral na ilha do Fogo.

Na missão serão integrados os técnicos locais, porque, explicou, quem vai continuar a cuidar das crianças é a equipa local, e que o papel da associação é fazer com que a equipa comece a funcionar de melhor forma possível porque a área de paralisia exige especialização e capacitação.

Os registos apontam para a existência de mais de quatro dezenas de casos de paralisia cerebral na ilha, mas a acarinhar vai fazer avaliação e dialogar com as famílias, mas também fazer o levantamento de possíveis outros casos quer de paralisia como de outras deficiências no geral.

Teresa Mascarenhas enviou uma mensagem para as pessoas que não acreditaram no projecto para que apoiem as próximas actividades, porque, afirmou “o sorriso e alegria na cara das crianças não tem preço”.

O professor Mário Barbosa responsável pela equipa multidisciplinar de apoio à educação inclusive, parceira de Acarinhar nestas actividades, indicou que como o lema deste ano é “educação de qualidade sem deixar ninguém para trás” a delegação associou-se a esta actividade, já que a inclusão exige a participação de todos.

Segundo o mesmo, a exclusão acontece devido a muitos ruídos e muitas pessoas pensam que para aprender melhor é necessário separar os alunos na sala de aula, sublinhando que a inclusão acontece na sala de aula, mas exige o envolvimento dos pais e encarregados de educação, professores e a própria sociedade civil.

Segundo dados disponibilizados, a equipa até o ano passado trabalhou com 49 crianças na sala, mas no dizer de Mário Barbosa tudo indica que há mais crianças em casa, razão porque está-se num processo de sinalização das crianças com necessidades específicas e é possível que o número venha aumentar.

Além da marcha, do programa para São Filipe consta a formação sobre “paralisia cerebral: diagnóstico e classificação”, triagem e consultas, formação sobre paralisia cerebral/avaliação terapêutica e intervenção com a equipa multidisciplinar local, avaliação psicológica de crianças com necessidades educativas especiais/atraso de desenvolvimento e aprendizagem.

No período da tarde a equipa vai estar na escola secundária de Ponta Verde para apresentação das obras multiformes da autoria de Teresa Mascarenhas, uma acção de formação em segurança infantil: prevenção de acidentes em idade pediátrica e cuidados paliativos em pediatria: controlo sintomático, além de terapia da fala e actividades lúdicas.

Para quarta-feira está programada uma acção de formação sobre epilepsia: diagnóstico e abordagem, triagem e consultas, formação sobre paralisia cerebral/avaliação terapêutica e intervenção com equipa multidisciplinar local, avaliação psicológica de crianças com necessidades educativas especiais/atraso de desenvolvimento e aprendizagem, além de visita à sala de recurso e convivência com professores desta sala.

Mosteiros e Santa Catarina vão receber depois a equipa de Acarinhar que permanece na ilha até o próximo sábado.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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