Estudantes de mandarim querem partilhar experiência com outros jovens cabo-verdianos

Cidade da Praia, 28 Ago (Inforpress) – Rud Ramos, Rúben Andrade e Wilson Sanches, estudantes da língua chinesa do Instituto Confúcio da Uni-CV, querem partilhar a sua experiência com outros jovens cabo-verdianos e mostrar-lhes a oportunidade que essa língua tem para o futuro.

Desde Janeiro de 2016 que o Instituto Confúcio da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) vem trabalhando na promoção e divulgação da língua e cultura chinesas em Cabo Verde com várias actividades que visam atrair mais alunos para a aprendizagem do mandarim e mostrar as oportunidades de aprender uma língua nova.

A língua chinesa é hoje ministrada na Uni-CV e em 16 escolas secundárias do país sendo oito na Praia, quatro em São Vicente e Assomada, incluindo a Aldeia Infantil SOS de Santa Catarina.

O ensino do mandarim, que é a língua mais falada no mundo, constitui um desafio para esses três jovens que foram os primeiros estudantes a abraçarem este projecto no arquipélago, que teve o seu inicio em 2016.

Foram contemplados com uma bolsa de curta duração para estudar na China na área de aprendizagem da língua mandarim e são unânimes em defender que o mandarim é a língua do futuro, e que os cabo-verdianos devem aproveitar essa oportunidade que o Instituto Confúcio tem disponibilizado.

Rud Ramos, natural da Praia, terminou o 12º ano de escolaridade e ingressou no curso de Língua e Cultura Chinesa durante três anos, diz que tem todas as condições para ministrar aulas para outros estudantes que queiram apreender essa língua, mas sublinhou que o seu objectivo é continuar a estudar e atingir o nível 5, sendo que dispõe ainda do nível 3.

Avançou que teve a oportunidade de dar aulas como voluntário em alguns bairros da capital do país, e que a aceitação dos jovens tem sido “muito boa”.

Rud Ramos, que esteve na China durante seis meses, disse que essa experiência foi muito enriquecedora e que aprendeu “muito mais” sobre a língua e cultura chinesa.

“Hoje a minha capacidade de ouvir é muito melhor, mas tenho ainda muito que aprender”, precisou o jovem, que considerou que a experiência de “espectacular”.

Rubem Andrade, por seu lado, teve o seu primeiro contacto com a língua chinesa em 2016, altura que o Instituto Confúcio abriu as portas em Cabo Verde.

Recebeu também uma bolsa de seis meses para estudar na China e considerou que a experiência de “muito boa” e que ficou “muito encantando” como a diversidade cultural do povo chinês.

Este jovem, que quer seguir a carreira de docente, realçou a técnica que os professores chineses utilizam na sala de aula para cativar a atenção dos alunos, e disse acreditar que será uma mais-valia para aperfeiçoar as suas capacidades de aprendizagem e ensino.

Por outro lado, Wilson Sanches estudante de Engenharia Civil, que foi o primeiro cabo-verdiano a participar na edição internacional do concurso “Ponte Chinesa”, que decorreu na China em 2018, considerou que o mandarim é a língua do futuro e espera ter mais oportunidade para aperfeiçoar e, quem sabe, admitiu, dar o seu conhecimento e contributo a outras jovens que queiram apreender essa língua.

“A nossa experiência na China durante esses seis meses ultrapassou a expectativa, foi de muito aprendizado, fizemos muitas amizades e conhecemos novas técnicas de ensino do chinês”, realçou o estudante, que apelou os jovens cabo-verdianos a apostarem nessa língua.

Por outro lado, desafiaram as autoridades cabo-verdianas a criarem condições para leccionarem aulas de chinês nos liceus do país, sendo que são contratados apenas no início de cada ano lectivo para auxiliar os docentes chineses que vem para Cabo Verde

Na ocasião, realçaram a capacidade de ensino dos professores chineses, mas asseguram que devem dar oportunidade aos nacionais, já que estão disponíveis e querem dar o seu contributo no ensino e aprendizagem do chinês no arquipélago.

Da experiência que tiveram, salientaram, perceberam que os estudantes estão mais a-vontade e abertos com os professores nacionais, pelo facto de terem uma língua comum, que é o crioulo, enquanto os docentes chineses recorrem ao inglês, que “não é muito dominado” pelos cabo-verdianos.

O Instituto Confúcio é uma instituição de formação sem fins lucrativos assente no princípio da cooperação entre a República Popular da China e outros países amigos e parceiros, com o objectivo de divulgar e promover a compreensão da língua e da cultura chinesa.

Inaugurado em Dezembro de 2015, o Instituto Confúcio na Uni-CV começou a leccionar cursos de língua e cultura chinesa em Janeiro de 2016, actualmente há cerca de 1300 alunos a estudar o mandarim no arquipélago.

AV/AA

Inforpress/Fim

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